O processo seletivo para conseguir uma vaga em uma pós-graduação stricto sensu é mais exigente e concorrido do que nos cursos lato sensu
O processo seletivo para conseguir uma vaga em uma pós-graduação stricto sensu é mais exigente e concorrido do que nos cursos lato sensu | Foto: Shutterstock



Os cursos de pós-graduação são divididos em duas modalidades bastante diferentes: lato sensu e stricto sensu. Entender as particularidades de cada uma é essencial para a escolha correta do curso. O pró-reitor de pesquisa e graduação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Amauri Alfieri, explica que as especializações lato sensu são aquelas com duração de um a dois anos que oferecem conhecimentos específicos em determinada área de atuação profissional. Nesta modalidade se incluem também os MBAs (Master Business Administration). Já os stricto sensu compreendem mestrados, doutorados e pós-doutorados, e são mais direcionados para quem quer seguir carreira acadêmica, seja na docência ou na pesquisa.

Alfieri destaca que os mestrados e doutorados são cursos mais longos e ambos exigem dos estudantes a experimentação e a defesa de uma tese inédita dentro da temática escolhida. O mestrado que, assim como a especialização lato sensu, pode ser cursado logo após a conclusão do ensino superior, tem duração média de dois anos. Já o doutorado exige a titulação de mestre e quatro anos de estudos. Ambos os cursos garantem diplomas aos alunos, ao contrário dos outros tipos de pós-graduação, que geram apenas certificados. Na pós lato sensu, o trabalho de conclusão de curso é, em geral, uma monografia ou artigo científico e não necessariamente precisa ser apresentado em sala.
Outra diferença entre as duas modalidades, segundo o pró-reitor de pesquisa e graduação da UEL, é que as especializações lato sensu podem ser criadas de forma independente pelas instituições de ensino superior, credenciadas pelo Ministério da Educação (MEC), e devem ter carga horária mínima de 360 horas. "Já os mestrados e doutorados dependem de autorização da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)", explica. Além disso, possuem custo mais alto para as universidades e oferecem menos vagas. Por outro lado, os estudantes podem pleitear por bolsas de estudos subsidiadas pela Capes – os valores variam de R$ 1,5 mil a R$ 4,1 mil -, no caso de dedicação exclusiva.
O coordenador de Pós-Graduação Lato Sensu da PUC-PR, campus Londrina, Silvio Aparecido Teixeira, lembra que existem ainda os mestrados profissionais, focados em mercado, mas que também preparam os alunos para a docência. O trabalho de conclusão de curso, neste caso, não precisa ser entregue, necessariamente, no formato de dissertação e, em geral, não há oferta de bolsas de estudos. Já os conhecidos MBAs – especializações voltadas para a área de negócios - possuem o mesmo efeito de titulação que os outros cursos de pós-graduação lato sensu no Brasil. "A diferença é que eles tendem a ser mais encorpados", aponta.
Teixeira ressalta que é preciso muita atenção na escolha. Após definir o objetivo de carreira, é necessário observar com cuidado o conteúdo programático e o corpo docente do curso. "Existem muitas especializações extremamente acadêmicas e com o corpo docente formado por professores que não estão no mercado", alerta. O aluno pode acabar frustrado e sentir que fez apenas uma extensão da graduação sem conseguir agregar muitos conhecimentos práticos. Se a intenção é se aprimorar em uma área ou aprender novas ferramentas e tecnologias, é importante procurar programas com foco no mercado.

mockup