Stricto ou lato sensu, qual é o melhor formato de pós-graduação?
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quinta-feira, 02 de fevereiro de 2017
Amanda de Santa<br>Especial para a FOLHA 

Os cursos de pós-graduação são divididos em duas modalidades bastante diferentes: lato sensu e stricto sensu. Entender as particularidades de cada uma é essencial para a escolha correta do curso. O pró-reitor de pesquisa e graduação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Amauri Alfieri, explica que as especializações lato sensu são aquelas com duração de um a dois anos que oferecem conhecimentos específicos em determinada área de atuação profissional. Nesta modalidade se incluem também os MBAs (Master Business Administration). Já os stricto sensu compreendem mestrados, doutorados e pós-doutorados, e são mais direcionados para quem quer seguir carreira acadêmica, seja na docência ou na pesquisa.
Alfieri destaca que os mestrados e doutorados são cursos mais longos e ambos exigem dos estudantes a experimentação e a defesa de uma tese inédita dentro da temática escolhida. O mestrado que, assim como a especialização lato sensu, pode ser cursado logo após a conclusão do ensino superior, tem duração média de dois anos. Já o doutorado exige a titulação de mestre e quatro anos de estudos. Ambos os cursos garantem diplomas aos alunos, ao contrário dos outros tipos de pós-graduação, que geram apenas certificados. Na pós lato sensu, o trabalho de conclusão de curso é, em geral, uma monografia ou artigo científico e não necessariamente precisa ser apresentado em sala.
Outra diferença entre as duas modalidades, segundo o pró-reitor de pesquisa e graduação da UEL, é que as especializações lato sensu podem ser criadas de forma independente pelas instituições de ensino superior, credenciadas pelo Ministério da Educação (MEC), e devem ter carga horária mínima de 360 horas. "Já os mestrados e doutorados dependem de autorização da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)", explica. Além disso, possuem custo mais alto para as universidades e oferecem menos vagas. Por outro lado, os estudantes podem pleitear por bolsas de estudos subsidiadas pela Capes os valores variam de R$ 1,5 mil a R$ 4,1 mil -, no caso de dedicação exclusiva.
O coordenador de Pós-Graduação Lato Sensu da PUC-PR, campus Londrina, Silvio Aparecido Teixeira, lembra que existem ainda os mestrados profissionais, focados em mercado, mas que também preparam os alunos para a docência. O trabalho de conclusão de curso, neste caso, não precisa ser entregue, necessariamente, no formato de dissertação e, em geral, não há oferta de bolsas de estudos. Já os conhecidos MBAs especializações voltadas para a área de negócios - possuem o mesmo efeito de titulação que os outros cursos de pós-graduação lato sensu no Brasil. "A diferença é que eles tendem a ser mais encorpados", aponta.
Teixeira ressalta que é preciso muita atenção na escolha. Após definir o objetivo de carreira, é necessário observar com cuidado o conteúdo programático e o corpo docente do curso. "Existem muitas especializações extremamente acadêmicas e com o corpo docente formado por professores que não estão no mercado", alerta. O aluno pode acabar frustrado e sentir que fez apenas uma extensão da graduação sem conseguir agregar muitos conhecimentos práticos. Se a intenção é se aprimorar em uma área ou aprender novas ferramentas e tecnologias, é importante procurar programas com foco no mercado.


