Straight Edge buscam responsabilidade
Movidos por diversos fatores como desassociar a música da auto-destruição, violência, danos à saúde ou quaisquer outros malefícios causados pelas drogas, os jovens que assumem o estilo de vida Straight Edge (sXe) buscam responsabilidade. Além de não beber, não fumar, nem utilizar qualquer tipo de substância química, os sXe não praticam sexo promíscuo e a grande maioria é vegetariano.
O atendente André Castilho, 23 anos, já é sXe há cinco anos. Além disso, também é adepto do veganismo, filosofia de vida também seguida pela maioria dos sXe. ''Os vegans não consomem produtos de origem animal, nem usam produtos que tenham sido testados em animais. Eu evito ao máximo usar roupas de couro, não consumo nenhum tipo de carne, e como todo sXe, não bebo, nem fumo'', diz.
Os primeiros sXe surgiram na década de 80 nos Estados Unidos. Eles eram membros de uma banda chamada Teen Idles que não conseguiam frequentar a maioria dos shows punks da cidade porque eram menores de idade. Mas, diferente da maioria dos punks da época, os jovens não consumiam álcool nem drogas. Para eles era muito mais importante ter controle de seu corpo, mente e atitudes, e para isso as drogas eram um obstáculo.
O nome Straight Edge (esquadro) surgiu quando Jeff Nelson, o baterista da banda Teen Idles, brincava com um esquadro e comparou a retitude e os ângulos retos do objeto com sua postura firme e ''careta'' de vida.
Para se identificar em shows ou quando estão juntos em algum evento, os sXe pintam um grande ''X'' nas mãos. O símbolo foi adotado pelos sXe da banda Teen Idles, quando realizaram um show em São Francisco numa casa que só deixava entrar menores de idade que tivessem suas mãos marcadas por um X de pincel atômico.
''Os sXe vão se adaptando conforme sua realidade. Na Europa é uma realidade, aqui no Brasil é outra. Nossos ideais podem ser considerados uma forma de rebelião contra o governo que consegue manipular as pessoas por diversos meios. Os drogados fogem do caminho certo, não buscam a escola nem ter uma noção política do que está acontecendo'', salienta André.
Para o assistente de áudio, Estello Neto, 20 anos, se tornar um sXe não foi difícil. Depois de já ter presenciado diversas situações complicadas envolvendo conhecidos que bebiam muito, ele resolveu aderir ao grupo dos sXe. ''Me tornei sXe há cinco anos e sou vegetariano também. Ser um sXe e um vegan é mais do uma questão de saúde, é uma questão política, econômica e de libertação animal. Eu já bebi muito e você vai vendo que isso só dá coisa ruim, então parei com tudo e vi que não precisa disso para viver e me divertir'', completa. (F.B.)





