'Sou prova de que jogo é doença', diz administradora
Administradora, 38 anos, solteira, Fabiana se viu duas vezes envolvida com a história do jogo. Aos 17 anos, começou a fazer jogo do bicho e aos poucos foi aumentando suas apostas. Trabalhando num banco, aos 18 anos foi promovida para chefe do departamento de aplicações e passou a ter acesso direto ao dinheiro. ''Tinha acesso a cheques avulsos e tirava dinheiro das contas de pessoas da minha família para jogar. Porque só o meu salário não sustentava mais o meu vício''.
Fabiana conta que gastava todo o salário no jogo e que precisava ganhar mais para saldar dívidas. ''Não queria prejudicar ninguém. Pensava em ganhar dinheiro para reembolsar minha família''. Descoberta pelo banco, Fabiana perdeu o emprego por justa causa e foi processada. ''O banco devolveu o dinheiro desviado. Meu prejuízo financeiro não foi tanto, mas perdi o emprego e a dignidade''.
Um mês depois já estava trabalhando e deixou de jogar durante 17 anos. Problemas emocionais e profissionais desestabilizaram a administradora, que teve o primeiro contato com as máquinas cáça-níqueis. ''Achei que eu era viciada só no jogo do bicho. Comecei a jogar e tudo o que consegui em 17 anos, perdi em apenas dois. Perdi tudo de novo''.
Mentiras, manipulações. Tudo voltou a fazer parte da vida de Fabiana. ''Saía às 6 horas e só voltava para casa à noite. Voltei a fumar. Só o jogo me dava prazer''. O problema tomou proporções incontroláveis, até que Fabiana tentou o suicídio. ''Isso aconteceu em julho de 2003 e de lá para cá, passei a frequentar o JA, onde consegui me manter longe dos jogos. Hoje posso dizer que retomei minha dignidade, meu caráter e minha vida''. (M.O)





