Na onda do livro e do filme ''O Segredo'', você já se perguntou: até que ponto pensamentos positivos podem levar ao sucesso? Estaria a autora da frase ''Peça, acredite e receba'', a australiana Rhonda Byrne, correta, em sua afirmação?
Habituado a atender um sem fim de pacientes incrédulos quanto a suas expectativas e projeções, o psicólogo André Vasconcelos Torres contesta: ''Apesar de diversos livros tratarem do assunto, ainda não há uma comprovação científica de que apenas o pensamento positivo seja capaz de levar alguém ao sucesso. É uma das chaves''.
Segundo Torres, antes de debater o lado positivo, é essencial tratar a questão do negativismo. ''As pessoas estão acostumadas a pensar no negativo, adotando em seu vocabulário os típicos 'não quero', 'não posso'. Ninguém diz que vai trabalhar porque ama o emprego e sim, geralmente, pelo dinheiro que vai receber''.
Acostumados na crença limitante - Para o psicólogo, o contexto de se ver o ''pior lado da moeda'' data da infância. ''Somos acostumados a pensar dessa forma negativa desde pequenos. Com o passar dos anos e a somatória de acontecimentos trágicos e frustrações, passamos a ser inseguros. Os sonhos tornam-se grandes demais: é a crença limitante''.
Para reverter essa situação, quando se chega ao chamado ''ciclo negativo'', que acaba se instalando na mente, é preciso, segundo Torres, antes de tudo ''conhecer-se melhor'' e saber compreender as emoções que fazem parte do nosso dia-a-dia. ''As emoções estão intimamente ligadas com o nosso modo de pensar e agir'', define.
''Ao pensar de forma positiva, independentemente do que tenha sucedido, alteramos nosso estado interno e temos, de pronto, uma sensação de bem-estar e motivação'', afirma o psicólogo.
Como dica final, algo que vai além do que apregoa ''O Segredo''. ''A sensação de motivação não deve ser nosso único guia. Sensação e ação caminham juntas nesse processo: de nada adianta trabalhar o pensamento positivo se, na prática, não tomamos conduta semelhante'', conclui.
A resiliência dos vencedores - A palavra soa estranha, mas, além de seu significado, vale a dobradinha de questões: Você é resiliente? O que vem a ser resiliência? O termo vem da física e destina-se a identificar materiais que sofreram pressão, mas voltaram ao seu estado normal.
''Importado'' para o campo da psicologia, o resiliente, segundo a psicóloga Elsie Silva, é aquela pessoa que renasce, que se recupera em momentos de grande crise, saindo mais fortalecido da situação.
''O resiliente não é aquela pessoa invulnerável, que não muda após uma situação, não é extremamente rígido. Outra característica importante da pessoa resiliente: ela não perpetua as situações de crise. Então, se apanhou muito na infância, não vai bater nos filhos. O resiliente supera aquela situação e age de uma maneira mais adequada no futuro. Isso é extremamente importante'', enfatiza.
Entre os exemplos célebres, Elsie cita o velejador Lars Grael, que perdeu uma perna durante uma competição, há nove anos, e retomou o curso de sua vida. ''É um grande paradoxo, mas são nos momentos mais difíceis que as pessoas crescem''.
Num contexto mais geral, a perda de entes queridos não fica de fora, no campo de exemplificações. ''Há muitos casos em que a pessoa foca o profissional (veja história nesta página), faz novas amizades, volta a estudar. É muito importante adotar metas e objetivos, direcionando a energia para alcançar o sucesso no campo que contemplar e, principalmente, ter esperança no futuro''.
Elsie cita, também, as famílias resilientes. ''Os integrantes de uma família resiliente apóiam-se mutuamente e, juntos, acabam se fortalecendo após determinada situação. Vamos supor: se essa família perdeu alguém, não fica registrada somente a perda e sim os momentos que foram vividos com afeto anteriormente''.

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