Sono traz qualidade de vida, afirmam especialistas
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de dezembro de 2004
Jacira Werle<br>Reportagem Local 
Quem acredita que gostar do sono é coisa de preguiçoso está muito enganado. Sono é qualidade de vida, garantem especialistas no assunto. ''Quando dormimos estamos contribuindo para o nosso equilíbrio psíquico-social'', explica a neurologista Mônica Marcos de Souza. Para realmente descansar cada pessoa precisa de um número específico de horas.
Segundo Mônica, o sono é dividido em superficial e profundo. ''A pessoa consegue descansar quando atinge o sono profundo'', esclarece. A quantidade de horas de sono, porém, não é a mesma durante toda a vida. Um bebê dorme cerca de 16 horas, um adolescente tem uma alteração na sonolência e por causa disso o sono aparece mais tarde, já um idoso apresenta uma diminuição no tempo necessário de sono para cerca de 4 a 6 horas. ''Estes são alguns exemplos das alterações da rotina do sono com o passar dos anos'', esclarece a neurologista.
De acordo com a avaliação de Mônica, de 60% a 70% das pessoas procuram o médico por causa de problemas relacionados à respiração (apnéia e ronco). Enquadram-se nesse caso, principalmente, homens de meia-idade. De 10% a 20% seriam pacientes com problemas de insônia.
A obesidade, por incrível que pareça, está intimamente ligada aos distúrbios do sono. '' Quando a pessoa engorda há uma modificação na anatomia do corpo, especialmente na região do pescoço que, consequentemente, acaba provocando alterações como a vibração das vias aéreas, o ronco'', elucida Mônica. Já na apinéia ocorrem pausas na respiração sem que o indivíduo chegue a acordar, mas elas fazem com que o sono seja cortado várias vezes.
Uma gama de fatores relacionados ao estresse podem também atrapalhar o descanso das pessoas à noite. Preocupações como falta de dinheiro, perda de emprego ou mesmo a morte de pessoas queridas estão entre as razões pelas quais muita gente rola na cama sem conseguir dormir. ''No caso de estresse a pessoa demora para adormecer, o sono volta ao normal quando o problema causador é resolvido'', analisa Mônica. Caso a insônia não tenha uma causa identificável e que possa ser eliminada e a falta de sono persistir por mais de três meses a insônia passa a ser considerada crônica.
Entre as consequências das noites em que o sono é trocado por incontáveis minutos de um descanso que não vem, estão os problemas de humor, falta de atenção e inclusive problemas relacionados com a memória. A maioria dos problemas tem solução e os tratamentos disponíveis variam de acordo com o problema de cada pessoa.
Entre as soluções estão o uso de medicação, cirurgia e utilização de aparelho que auxilie na respiração durante à noite. A médica orienta que cada pessoa se investigue e avalie se está tendo um sono de qualidade, caso contrário, a recomendação é para que um especialista seja procurado.


