Sonhos sob medida
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quarta-feira, 04 de abril de 2007
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Mais do que um mero meio de transporte, alguns tipos de motocicletas são uma paixão. Modelos como a famosa Harley Davidson, conduzida por Marlon Brando no filme O Selvagem, de 1954, encantam motociclistas há várias gerações.
Mas não basta ter uma bela máquina, é preciso incutir-lhe características pessoais, que façam dela a única do planeta. Desejos como um guidão mais longo, rodas mais largas, um tanque diferente e outras modificações sob medida movimentam o mercado curitibano de customização de motos.
Hoje existem lojas especializadas na concepção e montagem destes veículos no Paraná, uma das primeiras foi a Cabeça de Ferro, surgida em 1991, em Curitiba. Segundo seu proprietário, Ricardo Capistrano, 40 anos, em alguns casos os pedidos chegam aos limites da física. Especializada em customização no estilo americano isto é, ousada ao máximo , a loja tem espaço para modificar 30 motocicletas por vez em sua oficina.
O preço destes serviços varia muito, mas, em geral, não é barato. De acordo com Capistrano, o custo de uma modificação pode variar entre R$ 15 mil e R$ 150 mil, o problema não é a mão de obra, as peças é que são caras explica. O perfil do cliente que procura os serviços da Cabeça de Ferro é homem, por volta de 50 anos, com alto poder aquisitivo e que não liga para gastos na hora de concretizar seu sonho. Na maioria das vezes eles já tem casa, carro e a moto é só um hoby explica Ricardo. Homens mais jovens também procuram estes serviços, mas são a minoria. Além disso, são mais tímidos na hora de fazer mudanças. Os mais velhos são mais ousados, afirma.
Alguns clientes montam suas motos a partir de uma imagem mental, chegam à loja com uma vaga idéia do que querem e cabe aos profissionais da customização darem forma a este desejo. Primeiro mostramos uns modelos, depois desenhamos a moto para o cliente ter uma idéia, conta Capistrano. Em seguida começam as buscas nos catálogos de peças para encontrar aquelas que cabem no sonho do freguês. Um trabalho como este costuma demorar seis meses para ser concluído, mas o resultado é uma moto única, feita sob medida para seu condutor.
Ricardo conduziu sua primeira motocicleta na adolescência e não parou mais. Assim como outros motocicistas, ele transformou sua paixão em profissão. Começou com pinturas de capacete, mas logo apareceu uma encomenda de uma alteração na moto de um amigo. O mercado me levou para este caminho, conta.
Assim como ele, o proprietário da Brazil Custom Bikes, Célio Dobrucki, 35, começou fazendo uma mudancinha na própria moto. Os amigos de estrada gostaram e começaram a fazer encomendas. Há oito anos com a loja, ele se identifica com a fregüesia. Sou um deles, afirma e completa: Sou um motoqueiro.
Para manter o controle de qualidade em seus serviços, Célio trabalha com uma equipe de cinco pessoas. O volume de serviço também é calculado, em torno de 30 motos por mês. Muitas coisas eu faço pessoalmente, não dá pra aumentar muito, explica.
Entre seus clientes estão alguns amigos, o motociclista Juliano Ribeiro é um deles. Sua Harley Davidson está em constante mutação. Ela está toda mexida, e ainda vou mexer mais, conta. Segundo ele, o estilo destas motos possibilita e incentiva as modificações. Apesar de possuir um automóvel, ele não dispensa a moto para se locomover. Esta paixão já lhe trouxe alguns problemas, como uma namorada que não gostava de motos. Tive que escolher entre as duas, daí fiquei com a moto, lembra.


