Somos reféns da necessidade
Mas o que pensa disso tudo o pioneiro no teatro de entretenimento em Curitiba? Goste ou não, João Luiz Fiani foi o primeiro nestas bandas a assumir que faz, sim, peças comerciais. Responsável por sucessos como Eu Quero Sexo e A Tarada do Boqueirão (ambos de volta aos palcos), o proprietário do Teatro Lala Schneider não se faz de rogado na hora de defender seu território.
"O dono do imóvel quer receber o dinheiro do aluguel no fim do mês. Ele não está interessado se estou fazendo uma peça do Ibsen ou do Gugu Olimecha (autor carioca de peças populares)", afirma.
Quanto aos títulos sugestivos de alguns de seus espetáculos, Fiani garante: é contra qualquer tipo de apelação. "Nada é gratuito. Eu Quero Sexo, por exemplo, fala de educação sexual. É considerada pelo médico Jairo Baurer a melhor peça do gênero no Brasil", diz.
Mas ele admite fazer algumas adaptações. Como no caso de Manicômio, que acabou virando Não Brinca Assim que Eu Gosto. "A gente precisa de visibilidade, somos reféns dessa necessidade. Porque os jornalistas só indicam os trabalhos dos diretores que eles consideram importantes. A crítica ignora o que o público gosta", reclama.
Títulos chamativos, no entanto, às vezes podem ter efeito contrário. Fiani conta que, recentemente, quis comprar um espaço de mídia em uma emissora de tevê local e foi impedido - justamente por conta do nome A Tarada do Boqueirão.
Seja como for, o produtor prefere mirar o público e apostar em títulos atraentes. Não sem ressalvas. "O nome ajuda, sim. Mas não resolve. As pessoas estão ficando cada vez mais espertas, não se influenciam tanto por isso. E nem pela opinião dos jornalistas", provoca. (O.G.)





