SOM NA CAIXA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de março de 2007
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Os Stooges, que retornaram aos palcos em 2003, após quase 30 anos separados, deveriam ter feito uma volta como a dos Pixies: turnês e mais turnês, para arrancar dinheiro dos fãs saudosos e das novas gerações, ao mesmo tempo em que a banda desconversa indefinidamente sobre a gravação de um disco com canções inéditas.
Pois os Stooges cismaram de fazer um novo álbum. O recém-lançado ''The Weirdness'' (Virgin - importado) é o primeiro disco de estúdio da banda que inventou o punk rock desde ''Raw Power'' (1973). Mas está longe de ser um registro histórico.
Os riffs e as levadas dos irmãos Asheton parecem criação de alguma banda cover dos Stooges - ''Mexican Guy'', por exemplo, é uma mera variação da clássica ''Little Doll''. Essa falta de ousadia, entretanto, não é o maior defeito de ''The Weirdness''.
Quem põe o barraco abaixo de vez é Iggy Pop. Quase sem voz, ele tenta imitar os gritos e as manias crooner do Iggy safra 70, mas fracassa miseravelmente. As melodias vocais sofrem de uma ausência de criatividade vexaminosa, já que apenas seguem as melodias dos riffs (recurso que sempre indica preguiça ou falta de talento na hora de compor).
E, por fim, as letras são constrangedoras. Iggy tenta ser provocativo, mas seus versos ficam abaixo até mesmo da lira do pessoal emo. Os títulos das músicas já indicam a bobagem pura: ''Greedy Awful People'' (''Pessoas Gananciosas e Horríveis''), ''You Can't Have Friends'' (''Você Não Pode Ter Amigos''), ''I'm Fried'' (''Eu Estou Frito'')... Quem precisa de um adolescente de 60 anos?


