SOM NA CAIXA
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de fevereiro de 2007
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Sejamos sinceros: Funeral (2004), o incensado álbum de estréia da banda canadense Arcade Fire, não era lá essas coisas. Tinha quatro músicas que prestavam, e olhe lá. Para justificar a badalação de que foi alvo, a banda teria que sacar um segundo álbum avassalador. E não é que conseguiu?
Neon Bible, que chega às lojas em março mas que já está na internet, é o primeiro grande disco de 2007. O Arcade Fire continua afetado como no álbum anterior, mas agora a qualidade das composições está à altura da pretensão da banda. Outro upgrade é verificado nos arranjos de cordas, que estão mais versáteis e bem colocados.
As canções denotam diversas influências e espantam a sombra dos Talking Heads que comprometia Funeral. Há desde baladas ao estilo crooner (Ocean Of Noise, Intervention, Windowsill) e canção de ninar (a faixa-título) até folk estradeiro (Antichrist Television Blues) e os obrigatórios momentos dançantes para as noitadas dos indies (Keep The Car Running, Black Mirror, The Well And The Lighthouse, a regravação de No Cars Go, do primeiro EP da banda).
Essas qualidades, somadas à angústia adolescente que jorra dos vocais de Win Butler e das letras apaixonadas, reposicionam o Arcade Fire no mercado do novo rock, de promessa superestimada a candidato a se tornar um dos grandes nomes de sua geração.


