Sejamos sinceros: ‘‘Funeral’’ (2004), o incensado álbum de estréia da banda canadense Arcade Fire, não era lá essas coisas. Tinha quatro músicas que prestavam, e olhe lá. Para justificar a badalação de que foi alvo, a banda teria que sacar um segundo álbum avassalador. E não é que conseguiu?
  ‘‘Neon Bible’’, que chega às lojas em março mas que já está na internet, é o primeiro grande disco de 2007. O Arcade Fire continua afetado como no álbum anterior, mas agora a qualidade das composições está à altura da pretensão da banda. Outro upgrade é verificado nos arranjos de cordas, que estão mais versáteis e bem colocados.
  As canções denotam diversas influências e espantam a sombra dos Talking Heads que comprometia ‘‘Funeral’’. Há desde baladas ao estilo crooner (‘‘Ocean Of Noise’’, ‘‘Intervention’’, ‘‘Windowsill’’) e canção de ninar (a faixa-título) até folk estradeiro (‘‘Antichrist Television Blues’’) e os obrigatórios momentos dançantes para as noitadas dos indies (‘‘Keep The Car Running’’, ‘‘Black Mirror’’, ‘‘The Well And The Lighthouse’’, a regravação de ‘‘No Cars Go’’, do primeiro EP da banda).
  Essas qualidades, somadas à angústia adolescente que jorra dos vocais de Win Butler e das letras apaixonadas, reposicionam o Arcade Fire no ‘‘mercado’’ do novo rock, de promessa superestimada a candidato a se tornar um dos grandes nomes de sua geração.

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