Soluções para a logística reversa
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de março de 2013
João Fortes<br>Reportagem Local 
Até o ano que vem muitas indústrias brasileiras terão que se adequar para cumprir as exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos. E, embora ainda não esteja incluído na lista de setores obrigados a seguir as normas, o segmento de fabricação de móveis começa a dar os primeiros passos na busca por estratégias de logística reversa. O objetivo é eliminar de forma eficiente o despejo de produtos e peças no meio ambiente.
O tema deve começar a ser estudado e discutido este ano entre os membros da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), segundo um dos diretores da entidade e empresário do setor, Marcos Tudino. A iniciativa, segundo ele, surgiu depois que a Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Paraná divulgou no ano passado um edital com a lista dos setores já incluídos no programa e um aviso para aqueles que ainda não estão. A qualquer hora nosso setor terá essa obrigação. Por isso vamos começar essa discussão para que seja entregue para a Sema, ressalta Tudino.
O desafio é grande e deverá exigir um estudo muito complexo e que aponte soluções para uma série de obstáculos característicos ou até mesmo exclusivos do setor. É o caso da logística de distribuição dos produtos, que para Tudino já inviabilizaria o retorno dos móveis diretamente para a fábrica depois de utilizados. Você tem produtos vendidos, por exemplo, a cinco mil quilômetros de distância. Se for para trazer de volta, isso gera um custo muito grande. Por isso, apostamos mais em soluções locais, talvez parcerias com cooperativas ou outras empresas para recolhimento desse material, afirma.
Outra dificuldade é em relação às próprias características dos móveis, que utilizam uma diversidade grande de materiais. É possível encontrar em um mesmo produto, por exemplo, peças feitas com madeira, metais (puxadores, pregos, grampos), plástico, espuma, tecido, entre outros. E não apenas nos móveis, temos embalagem com muto isopor, fitas de arquear, produtos que nem sempre são recolhidos, ressalta.
A separação, o aproveitamento e a reciclagem dos diversos materiais são um processo que existe, por exemplo, para veículos, mas que no caso dos móveis não seria viável, segundo Tudino. Em um automóvel tem uma centena de produtos com valor. Já não é tanto o caso de um móvel.
Diminuir a quantidade de materiais também poderia ser uma solução, mas também difícil de ser aplicada. Temos um projeto de móvel sem grampo, por exemplo, mas isso acaba aumentando muito a mão de obra especializada.
Tudino ainda fala sobre outra possibilidade desse quebra-cabeça, mas que igualmente revela a dificuldade de se encontrar soluções viáveis e condizentes com a realidade do mercado. Eu apostaria numa situação de tentar elevar o tempo de vida útil, só que entram os fatores de design e consumo. Temos um longo caminho pela frente, conclui.
O diretor da Fiep ainda expõe outro obstáculo. Os lojistas têm relutado muito nisso, constata. Difícil ou não, ele espera que a partir do segundo semestre as discussões na Fiep tenham algum resultado positivo para apontar soluções para essa questão.


