Dor de cabeça. Quem nunca teve? Para algumas pessoas, é esporádica, aparece naqueles momentos de maior stress. Um comprimido já traz o alívio. Mas para uma parcela da população, o problema é mais frequente, às vezes, até constante. E para isso, a receita não é apenas engolir um comprimido. O indivíduo sofre, se torna refém desse incômodo e se vê obrigado a se acostumar com ele. A esperança é procurar atendimento especializado, um neurologista.
Esperança porque quando se trata de cefaléia, as causas são inúmeras. Mesmo após uma bateria de exames, não é raro o médico apresentar para o paciente um relatório inconclusivo, ou melhor, concluindo que pelo menos a causa da dor de cabeça não é neurológica.
O que muitos não sabem é que existem outras possibilidades a investigar. A afirmação é do dentista Luís Sekio Tanaka, especialista em Ortopedia funcional dos maxilares. ''É comum recebermos pacientes que vêm ao consultório como a última esperança'', conta. O tratamento começa na avaliação de tudo o que se refere à boca. Segundo ele, o mau funcionamento dos músculos periféricos da mandíbula, dos dentes e da língua contribui para a ocorrência da dor de cabeça crônica.
Causas que passam despercebidas, mas que estão incorporadas ao nosso dia-a-dia. Hábitos como mastigar os alimentos sempre do mesmo lado da boca podem originar uma dor de cabeça. Os músculos do maxilar também podem sofrer de L.E.R., Lesões por Esforço Repetitivo, o que acaba resultando em dor de cabeça. ''Mascar chiclete é um 'veneno' para a saúde'', aponta o dentista, ressaltando que não só pelas cáries mas também pelos movimentos repetitivos da mandíbula. Por este motivo, muitos de seus pacientes são crianças.
Consumir alimentos duros, para estimular a musculatura, é recomendado para evitar uma consequência mais séria do mau funcionamento dos maxilares. É a Síndrome de Eagle. O sinal, a calcificação do ligamento estilohióide, que fica atrás da mandíbula, só é percebido em radiografias. ''É como se crescesse um osso dentro do músculo do pescoço. Fica aquela sensação de espinho de peixe na garganta'', explica.
Também colaboram para a formação de dor de cabeça crônica a postura errada dos dentes. Inclui-se aí o apertamento da mandíbula, ao dormir ou fazer força. Mas o stress está por trás da maioria das situações. ''Quando a pessoa fica muito tensa, tende a pressionar os dentes, o que reflete no cérebro'', detalha o especialista. O bruxismo (hábito de esfregar os dentes), rouquidão e a perda do paladar também pode causar o problema.
Tanaka revela que não apenas um, mas vários fatores associados podem explicar a dor de cabeça crônica. Como todas as possíveis causas são investigadas, dependendo do caso, o paciente pode continuar o tratamento com profissionais de outras áreas, como otorrino, fonoaudiólogo, oftalmologista e até fisioterapeuta. Quem sofre de cefaléia constante, não deve fazer uso de medicamentos por conta própria. ''A automedicação pode não ter efeito depois de um tempo e até fazer mal, pois todo remédio tem seus efeitos colaterais'', aconselhou.
Quando o caso fica com o ortopedista funcional, o problema é resolvido com aparelhos ortopédicos fixos. ''São múltiplas possibilidades de modelos, cada boca é uma história'', pondera o dentista. ''Quando a dor de cabeça tem relação com a boca, temos conseguido encontrar a chave do problema'', resume.

mockup