SOLIDARIEDADE VIRTUAL - Doutores da Alegria conquistam a grande rede
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sábado, 03 de maio de 2008
Bruno Galo<br>Agência Estado 
São Paulo - Dr. Zinho é apaixonado pelo que faz. Mais que isso: acredita no poder de transformar as pessoas que possam se inspirar no belo trabalho realizado pelos Doutores da Alegria, organização fundada por ele há quase 17 anos. ''No dia-a-dia a gente vê tantas vidas sendo desperdiçadas com bobagem... Enquanto isso, no hospital você vê tão pouca vida lutando tanto pra continuar a viver - e as pessoas não têm a dimensão disso'', analisa.
A partir dessa constatação, Wellington Nogueira - nome verdadeiro de Dr. Zinho - conta que nos últimos anos tem aumentado no grupo, composto por 60 palhaços, o desejo de ''compartilhar com as pessoas o que acontecia em nossas visitas.'' Segundo ele, o convívio com as crianças doentes dentro do hospital mudou para sempre a forma como cada um vê a vida e se relaciona com o mundo.
O premiado e bem-sucedido documentário sobre a trupe , dirigido em 2005 pela mulher de Nogueira, Mara Mourão, é talvez o mais conhecido exemplo dessa vontade de estreitar a relação com o público, mostrando a fundo o trabalho dos ''besteirologistas'', termo pelo qual eles se chamam. Além do filme - e um segundo capítulo está nos planos da trupe -, inúmeras ''pequenas e diferentes pílulas'', como website, livros, palestras para empresas e espetáculos teatrais, contribuíram para tornar os doutores uma das mais famosas e admiradas organizações do País.
A partir deste ano, duas ações online prometem agradar aos admiradores do projeto e atrair novos simpatizantes. A primeira delas refere-se ao recém-lançado canal ''TV dos Doutores da Alegria'' no YouTube, que segundo Nogueira ''veio para mostrar o outro lado da gente: o que as pessoas não estão acostumadas a ver''.
Há 40 vídeos postados no canal. A maioria são trechos de espetáculos do grupo, como o ''Midnight Clowns'' e o ''Inventário'', que já foram assistidos nos palcos por mais de 20 mil espectadores. Há ainda gravações de rodas artísticas realizadas em hospitais e cenas do último ''Bloco do Miolo Mole'', organizado pelos doutores de Recife, entre outras imagens. Além de São Paulo e da capital pernambucana, o projeto atua em Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
Em breve a organização promete postar vídeos com apresentações dos palhaços pelas cidades onde atua, bem como gerar conteúdo exclusivo para o canal. E imagens de visitas, como as mostradas no documentário? Nogueira afirma que pensa nessa possibilidade, contudo há dificuldades em fazer a captação dessas imagens: ''Temos de contornar o problema de ter outras pessoas e uma câmera junto com os doutores, não expor nenhuma criança e, o mais complicado, obter a autorização dos pais para gravar e exibir as imagens''.
E filmar as visitas usando telefones celulares? Talvez sejam menos evasivos e mais facilmente aceito pelos pequenos... Nogueira assume nunca ter pensado nessa idéia, porém aproveita para contar o que ele chama de fantasia: ''Queria mesmo é que uma câmera fosse junto com o olhar do palhaço, passando para o público as emoções vividas pelos 'besteirologistas'''.
Além do canal no YouTube, o grupo se prepara para lançar oficialmente um blog - que está em fase de testes. Nele, os palhaços irão ''relatar suas impressões e vivências nos hospitais, bem como um pouco da relação existente entre os seus colegas 'besteirologistas''', explica Nogueira.
Os palhaços que trabalham em duplas ou trios fixos visitam um mesmo hospital ao longo de um ano, duas vezes por semana, sempre no mesmo horário. Todas essas iniciativas vêm para ''não só tentarmos passar a nossa mensagem através de pequenas e diferentes pílulas, como também, para atender uma demanda do público que quer saber mais sobre o nosso trabalho'', conta Nogueira. E torce: ''Quem sabe a nossa mensagem ficando mais ampla a gente não comece a ver alguma coisa mudar em termos de sociedade.''


