O Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar), que auxilia mensalmente cerca de 4 mil famílias em Londrina, atende a mais outras 2 mil em dezembro, devido ao grande volume de doações recebidas nesta época do ano.
São alimentos e brinquedos, em geral provenientes de campanhas de Natal das mais diversas instituições e eventos. ''O londrinense tem um senso de solidariedade grande. Sempre que são realizadas campanhas a comunidade se sensibiliza e ajuda'', lembra Lenir Cândida de Assis, diretora da entidade.
Porém, ajudar apenas em campanhas ou épocas específicas nem sempre é sinal de solidariedade. É o que alerta a psicóloga Maria Luiza Marinho, doutora em psicologia clínica pela Universidade de São Paulo (USP). ''O apelo da mídia para tentar comover pode levar a pessoa a fazer uma doação apenas para passar o incômodo que ela está sentindo no momento'', alerta.
Segundo Maria Luiza, isso pode ser perigoso se a pessoa sentir-se desobrigada a ajudar em outros períodos, desvirtuando o real significado de ser solidário. ''O ideal é que se tenha algum tipo de ação solidária como prática de vida'', recomenda.
O reverendo Gerson Araújo lembra que é preciso exercitar a solidariedade em todas as épocas do ano. ''Eu acho terrível a idéia de ser solidário somente no Natal. Se a pessoa pode ajudar em dezembro, por que não continuar contribuindo nos outros meses?''
Para ele, muitas pessoas entendem a mensagem do Natal de forma errônea. ''Elas acham que estão agradando a Deus ajudando somente nesse período, como se fosse uma troca''. (A.I.)

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