Por mais que as datas comemorativas tenham quase que unicamente forte apelo comercial, hoje, Dia dos Namorados, uma legião de solteiros certamente irá sentir um apertãozinho no coração. Segundo os especialistas, a solidão acomete, em maior ou menor grau, homens e mulheres, independentemente da idade. Ou seja, ninguém está imune a ela e a próxima ''vítima'' pode até ser você, seu amigo, seu colega de trabalho, seu chefe... A recomendação dos estudiosos é entender e aprender a lidar com esta emoção, para não ser tomado por padrões mentais negativos.
Apesar de 49,4% da população brasileira com 10 ou mais anos de idade viver em união conjugal, existem mais de 74 milhões de solteiros que nunca foram casados, além de 5 milhões de ex-casados e 6 milhões de viúvos no Brasil segundo dados do Censo 2000, o último realizado no País, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Tradicionalmente, as mulheres se casam mais cedo do que os homens, mas são eles que mantém taxas altas de nupcialidade ao longo da vida. Gradativamente, a partir dos 35 anos, as mulheres apresentam taxas menores. De acordo com o psicólogo e professor da faculdade de psicologia da Universidade de São Paulo (USP), Ailton Amélio da Silva, isso acontece porque a mulher com 25 anos, aproximadamente, está no auge da atração física sendo ''disputada'' por homens mais novos, da própria idade dela ou ainda mais velhos que ela. Dessa maneira, entre os jovens de 15 a 19 anos, a proporção de mulheres que vive em união conjugal é cinco vezes maior do que a de homens - 15,1% contra 3,3%.
Ao adquirir mais idade, com aproximadamente 35 anos, a mulher procura se relacionar com homens da mesma idade ou mais velhos. Entretanto, Silva revela que, a diferença inicial de idade entre homem e mulher, ao se casar pela primeira vez, é de três anos a mais para ele e, num segundo matrimônio, a diferença de idade entre homem e mulher aumenta para nove anos. ''Nessa idade, o homem que ela quer está à procura das mulheres mais novas'', esclarece. Assim, entre as pessoas de 70 anos ou mais, a proporção dos homens que vive em união conjugal é maior do que a das mulheres, de 70,9% contra 27,9%. Ou seja, as mulheres possuem mais dificuldade em se casar novamente a partir de uma certa idade.
Engana-se quem acredita que são as mulheres que sofrem mais por não ter um companheiro. ''A mortalidade do homem que se separa e não volta a se casar é maior em comparação àquele que não se separa. As mulheres são mais fortes'', demonstra Silva. Os homens rapidamente procuram alguém para preencher o vazio da solidão evitando, dessa maneira, a ansiedade.
De maneira geral, quando se está solitário ambos sofrem da mesma maneira, sendo que a mulher demonstra seus sentimentos mais publicamente. Como está culturalmente difundido que ''homem não chora'', eles frequentemente não manifestam sofrimento. ''Quando os homens se apaixonam, sofrem muito'', conta o psiquiatra e psicoterapeuta do Hospital das Clínicas de São Paulo, Eduardo Ferreira Santos. ''Tenho medo de me magoar novamente. Claro que ainda não surgiu ninguém que me interessasse realmente para assumir algo sério, mas se aparecer, namoro sem problemas'', conta o personal trainer Wallace Meneguine, 32 anos, que foi casado 13 anos e se separou há um ano e meio.

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