Sol e vento, aliados da consciência ecológica
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de outubro de 2007
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
Fotos: AFP Photo / Greg Wood
A geração de energia elétrica a partir do calor do sol e da força do vento tem potencial para, ao mesmo tempo, atender às necessidades da sociedade com baixo impacto ambiental e ajudar a preservar parte dos reservatórios de usinas hidrelétricas para momentos de pico ou de falta de energia. Essa é a opinião dos professores Júlio César Passos e Sérgio Colle - dos departamentos de Engenharia Mecânica e Termodinâmica da Universidade Federal de Santa Catarina. Ambos participam do Eco Power Conference, evento mundial que ocorre em novembro em Florianópolis para discutir alternativas sustentáveis de geração de energia (leia nesta página).
Apesar do potencial, a energia eólica e solar permanece com participação residual na matriz energética nacional. Os obstáculos ao crescimento das novas modalidades vão da falta de incentivos governamentais à necessidade de barateamento da tecnologia. A energia solar, por possibilitar uso doméstico a custo mais acessível, é bem mais difundida em residências e empresas brasileiras do que a eólica, mas, por se tratar de um sistema baseado em unidades isoladas, o Ministério de Minas e Energia não registra o total da energia solar produzida no país.
Escala planetária
''A energia solar é a única opção renovável de escala planetária. Praticamente todo o cinturão entre os dois trópicos (de Câncer e Capricórnio) tem excelente potencial para geração de energia. Essa faixa de terra concentra praticamente toda a economia global'', explica o professor Sérgio Colle. O Brasil recebe praticamente o dobro da incidência média de sol dos países europeus.
De acordo com Colle, a energia solar tem dois tipos de aplicação: para conversão térmica ou geração de potência. A primeira alternativa serve para aquecimento de água, residências, ou refrigeração.
''A energia solar pode prover 80% da água quente e do aquecimento doméstico no inverno. Atualmente, no horário crítico, das 18h00 às 21h00, cerca de 3,8 gigawatts (1/4 da potência da hidrelétrica de Itaipu) são reservados no Brasil para fazer frente à demanda dos chuveiros elétricos - ou seja, o consumidor tem de pagar essa reserva na sua tarifa. Então, podemos fazer um planejamento nacional para substituição de energia doméstica que reserve parte da capacidade das usinas hidrelétricas para circunstâncias de apagão, ou para dar usos mais nobres, relacionados ao consumo industrial, visando assegurar o crescimento do país'', explicou. ''Agora, para que a energia solar resolva definitivamente o problema do chuveiro é necessária uma tecnologia mais avançada, que utilize sistemas de previsão para assegurar água quente nos dias de baixa oferta solar''.
Nanotecnologia solar
Atualmente, as pesquisas em energia solar concentram-se na obtenção de materiais de captação solar mais eficientes (painéis fotovoltaicos) e mais baratos. A flexibilidade dos materiais deverá permitir a criação de novos revestimentos para as residências, capazes de captar o raio solar. ''Entramos na era da nanotecnologia e na busca de células fotovoltaicas revolucionárias que serão como filmes ultrafinos. Você poderá revestir a tintura de uma casa, pintar, essa revolução vem vindo. Os coletores serão integrados à arquitetura''. Outra alternativa em estudo é o advento de telhas fotovoltaicas, objetivando a construção de telhados que funcionem como painéis de absorção de calor.
O professor Sérgio Colle acrescenta que a energia solar é viável econômicamente em nível doméstico. ''Em dois anos o sistema se paga, mas, para o cidadão de baixa renda que enche os morros de 'gatos', é preciso oferecer subsídio para a instalação''. Após a instalação do sistema, o custo de manutenção é baixo.
Potência elétrica
Outra aplicação da energia solar é a geração de potência para produção de energia elétrica. De acordo com o professor, um coletor solar de 1 km2 (1km por 1km) fornece energia elétrica para quase duas cidades como Florianópolis. Colle defende o uso de energia solar também para a agricultura e indústria.
''Há um largo potencial, mas falta desenvolvimento e tecnologia. Na agroindústria, pode ser utilizada na secagem de alimentos, com uma economia de 50% da energia (de hidrelétricas) nisso''.
As centrais de produção de energia elétrica, a partir do sol, tem custo superior à simples conversão térmica, mas permitem uma utilização mais ''robusta'' da energia. ''Usam-se grandes concentradores solares para torná-la mais econômica. Ela seria explorada também por uma usina de co-geração, que produziria energia elétrica, calor e refrigeração''.
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