Vânia Casado
De Curitiba
A expansão da soja rumo ao Oeste do Paraná foi favorecida pelas condições climáticas e de solo, que facilitaram a mecanização agrícola. Hoje a região lidera o cultivo tanto em área plantada, com em produção, seguida da região Norte que é a segunda maior produtora do grão do Estado. Nos últimos anos, a região Noroeste tem se destacado, principalmente nos municípios próximos a Umuarama, cujas prefeituras estimularam a reforma de pastagens com o plantio de soja. A consolidação da cultura no Estado é atribuída à profissionalização do agricultor e ao avanço da pesquisa, através de investimentos em variedades mais produtivas e o aperfeiçoamento da tecnologia de produção nos últimos anos.
Por ser facilmente comercializada em qualquer época do ano, a soja tem se destacado entre os demais produtos agrícolas, na preferência dos produtores. Atualmente o complexo soja é o principal componente da pauta de exportações brasileiras. O Paraná se destaca como primeiro produtor nacional com uma participação de 23% na produção do País, que este ano deve atingir 30 milhões de toneladas. Na safra 98/99, o estado produziu o volume recorde de 7,7 milhões de toneladas, considerado o quinto ano consecutivo de recorde de produção.
O crescimento da produção é reflexo dos altos preços do grão, obtidos até à safra passada, da desoneração da cobrança de ICMS ocorrida em 1996, da constante liquidez da commoditie, entre outros fatores. Também a crise da triticultura favoreceu de modo indireto o crescimento do plantio de soja no Paraná. Isso porque os produtores passaram a investir mais no plantio de milho safrinha, durante o inverno, e com isso liberaram área para plantar soja durante a safra normal.
Com isso os paranaenses aumentaram a área plantada ano a ano. Segundo levantamento feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral), o plantio de soja saiu de uma média histórica onde plantavam em torno de 2,1 milhão de hectares entre 1980 a 1995, para uma média superior a 2,5 milhões de hectares nas últimas safras. Na safra 97/98 foram plantados um recorde de 2.851.627 hectares. Já na safra 98/99, a área caiu para 2.777.197 hectares, em função da redução da margem de lucro. ‘‘Mesmo assim, a commoditie tem competitividade no mercado externo, e dificilmente os produtores vão deixar de plantar soja’’, afirma Vera Zardo, coordenadora do Deral.
Até 1972, o Paraná plantava menos de 1.000 hectares com soja. A partir de 1973, a área plantada dobrou atingindo 1,32 milhão de hectares e daí em diante a média de plantio ficou superior a 2,2 milhões de hectares, conforme o Deral. A produção que oscilava entre 3 e 4 milhões de toneladas, avançou para 6,5 a 7 milhões de toneladas nos três últimos anos.
A safra de grãos 98/99 no Estado foi impulsionada pela produção de soja, que teve uma produtividade média alcançada de 2.800 quilos por hectare, também considerada recorde. As lavouras do município de Palotina, na região Oeste, que sustenta o título de capital nacional da soja, apresentaram um rendimento médio de 3.223 quilos por hectare. Segundo o Deral, a região Oeste responde por quase 30% da produção estadual, com a colheita de 2,24 milhões de toneladas. Em seguida, a região Norte colheu 2 milhões de toneladas e a Centro Oeste e Sul contribuiram com uma produção semelhante, em torno de 1,27 milhões de toneladas.
Já a região do Arenito (Noroeste) contribuiu com a produção expressiva de quase 160 mil toneladas. O plantio de soja começou a ser estimulado dentro de programas municipais de estímulo à reforma de pastos. No início, as terras, antes ocupadas por pastagens degradadas, foram arrendadas. Como o resultado foi animador, hoje tem produtores de outras regiões procurando área para plantar soja na região do Arenito. Muitos pecuaristas que arrendaram as terras para depois voltar para a atividade inicial, estão mantendo o plantio de soja.
O Iapar desenvolveu variedades propícias e os produtores utilizaram técnicas de conservação de solos e adubação. Na última safra a produtividade obtida na região variou de 2.000 a 2.500 quilos por hectare, um pouco abaixo da média estadual.

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