Vânia Moreira
O cultivo de soja no solo arenoso da região de Umuarama era algo impensável até três anos atrás. A oleaginosa chegou à região graças a um projeto muito simples e à insistência de técnicos que defendiam a viabilidade da cultura no arenito. As primeiras plantações de soja surgiram em Umuarama através do Programa de Arrendamento de Terras (Pater).
A idéia é simples. O Pater coloca frente a frente produtores de soja que querem aumentar o plantio, mas não têm áreas disponíveis, e os pecuaristas com áreas de pastagens degradadas e sem capital para recuperá-las. Enquanto cultiva soja, milho, aveia e outras culturas, o arrendatário está conservando e recuperando a fertilidade do solo. O pecuarista receberá o solo recuperado e ainda terá algum lucro com o arrendamento. O Pater atua apenas como fomentador dos negócios. Cadastra áreas disponíveis e interessados e fornece assistência técnica e jurídica.
Este ano, a região de Umuarama produziu quase dois milhões de sacas de soja e faturou em torno de R$ 18 milhões. Satisfeitos com os resultados da primeira safra, ano passado os produtores dobraram a área plantada. Em 98, os primeiros sojicultores a plantar no arenito colheram cerca de 800 mil sacas em 25 mil hectares. Este ano foram plantados quase 50 mil hectares em 18 municípios da região. Os técnicos municipais garantem que a produtividade média está sendo praticamente a mesma de outras regiões tradicionalmente produtoras de soja, 47 sacas por hectare.
O programa foi lançado pela prefeitura de Umuarama para tentar reverter uma situação preocupante; a degradação das terras ocupadas com pastagens, nas quais o uso inadequado esgotou a fertilidade dos solos. Estima-se que dos 150 mil hectares ocupados com pastagens extensivas pelo menos 100 mil estejam com baixa produtividade. A capacidade de lotação hoje gira em torno de 1,2 cabeça por hectare, quando, bem conduzida, cada hectare de pastagens conseguiria suportar até 5 ou 6 cabeças. A reforma dos solos através das culturas de rodízio pode devolver às áreas degradadas a capacidade de lotação perdida.
De imediato, o município amplia a produção de grãos, gera e distribui mais renda e atrai uma série de negócios, principalmente agroindústrias para processar a matéria-prima na própria região, agregar valores, gerar empregos e aumentar a arrecadação de impostos. Indústrias e empregos são a meta mais perseguida pelos governantes de Umuarama nos últimos anos.
Tanto interesse pelo cultivo da soja explica-se pelo lucro que gera. A oleaginosa rende até 30% de lucro bruto. Até mesmo órgãos de pesquisa e assistência técnica que não recomendavam culturas de rodízio para o arenito - devido aos problemas de erosão - se renderam à ‘‘teimosia’’ de Umuarama em cultivar soja e outros grãos. O Iapar está testando variedades de soja, milho e feijão e pesquisando o desenvolvimento dessas culturas no arenito. Isto significa mais subsídios para os produtores que até agora se guiaram apenas pela própria experiência.

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