Sociólogo diz que falta informação ao público
A falta de recursos e a pouca disponibilidade de serviços são dois dos fatores que contribuem para que as pessoas comprem óculos de grau no comércio informal, argumenta o professor de Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Hermann Oberdiek.
A concentração do conhecimento nas mão dos médicos e a pouca divulgação de informações sobre saúde pelos meios de comunicação também contribuiriam que esse tipo de compra se repita.
Segundo ele, falta esclarecimento para que o indivíduo perceba que esse tipo de óculos pode ser mais prejudicial do que benéfico. Oberdiek afirma que ''as pessoas, no fundo, são fruto do sistema social''. Para OberdieK o Sistema Público de Saúde (SUS) do Brasil é um dos melhores do mundo, mas o problema é que ele não funciona como deveria. ''Há muitos interesses que dificultam o bom funcionamento do sistema público. Intereferem desde médicos, a laboratórios a políticos'', diz.
''A pessoa faz o que consegue'', assegura o professor. O educador afirma que o indivíduo não tem senso crítico para avaliar o que realmente é bom ou ruim para ele. Sem conhecimentos sobre o assunto e sem ter alguém que informe corretamente a melhor atitude a ser tomada, a pessoa acaba seguindo conselhos de amigos ou conversando com vizinhos que já teriam passado pela experiência de uma compra de óculos de grau em locais como o camelódromo.
Para Oberdiek, ter dinheiro não é sinônimo de ter senso crítico. O professor acredita que pessoas de várias faixas de renda adquirem óculos de grau no camelódromo. Como as pessoas estão sempre comprando, é estabelecido um círculo vicioso: gente querendo comprar e gente querendo vender.
A solução para evitar problemas como esse é complexa, segundo o professor. Ela passa pela conscientização de todos os agentes envolvidos e democratização das informações sobre saúde atualmente concentradas nas mãos dos médicos. Além da eliminação da corrupção na qual estão envolvidos muitos dos processos sociais.





