Dentre as atribuições do técnico de segurança do trabalho, José Otávio Gomes, de 48 anos, está executar serviços de reparação e manutenção em espaços confinados. Existem centenas desses locais na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), da Petrobras, em Araucária, onde ele trabalha há 29 anos. Entende-se por espaço confinado o ambiente que não foi projetado para ocupação humana, mas estocar materiais de diversas naturezas, desde grãos a produtos químicos, geralmente com uma única entrada, tamanho limitado, precária ventilação e deficiência de oxigênio. Enfim, um ambiente de alto risco.
  Trabalhar nessas condições parece nada agradável, mas sempre que solicitado, Gomes está pronto para entrar num espaço confinado. Pode ser uma esfera que armazena gás propano ou GLP (gás de cozinha), uma tubulação, uma galeria, tanques ou uma caldeira. ‘‘Numa refinaria o risco está presente todo momento. Mas aqui trabalham profissionais altamente qualificados, que recebem capacitação para seguir uma série de procedimentos de segurança. A situação está sempre sob controle. Segurança aqui não é questão de sorte ou de orar. Um acidente aqui não é uma fatalidade, mas incompetência humana’’,
pontua Gomes.
  Segundo ele, desde que a Repar foi fundada, há 30 anos, nunca aconteceu um acidente grave causado pelos agentes químicos da refinaria. ‘‘Já liderei a equipe de resgate de emergência de trabalhadores também. Para todo serviço em espaço confinado há uma estratégia de resgate traçada para controlar o perigo’’, explica ele, contando que um dos trabalhos mais difíceis é entrar em tubulações verticais, com cerca de um metro de diâmetro, porque não há condições de saída rápida.
  ‘‘Nossa maior demanda não são os trabalhos em espaço confinado, esses serviços só acontecem quando os equipamentos da refinaria param de operar’’, conta. O técnico de segurança do trabalho da Repar, Sérgio Moacir da Luz Ferreira, lembra que sempre que um funcionário realiza um serviço em espaço confinado é acompanhado por um observador ou ‘‘anjo da guarda’’, que fica na entrada do ambiente fiscalizando o andamento do trabalho e é responsável por acionar a equipe de resgate técnico se for necessário.
Prestador de
serviços em altura
  Outra profissão que chega a dar um frio na barriga só de pensar no ambiente no qual é executada é a escolhida pelo escalador Arjuna da Silva, de 26 anos. ‘‘Sou prestador de serviços em alturas’’, resume, ele. O rapaz realiza trabalhos de reparos e manutenção que precise ficar literalmente pendurado no ar. Nem medo, nem vertigem abalam Arjuna que já escalou uma torre de pesquisa para energia eólica gigantesca (100 metros), em Palmas, com a largura de uma pessoa. ‘‘Lá de cima, os carros pareciam de brinquedo’’, lembra ele, que realizou o serviço em janeiro deste ano.
  ‘‘Instalamos equipamentos tecnólogicos para medir velocidade do vento, temperatura, umidade do ar. Dava a sensação que a torre balançava no sentido que as nuvens mexiam, mas sabíamos que a torre é super segura, só fazia um leve balanço’’, relata Arjuna, que presta serviços, há um ano, para a empresa Mundo Vertical que trabalha com soluções em altura, que seriam qualquer serviço realizado a uma altura acima de dois metros: podas de árvores, pintura, vedação de esquadrias ou instalação de vidros em prédios altíssimos, higienização do teto de grandes galpões, etc.
  ‘‘O trabalho em altura é como qualquer outro, sofro os mesmos riscos que um guarda de trânsito, por exemplo. O importante é trabalhar prevendo todos os riscos possíveis e tentar minimizá-los ao máximo, seguindo as normas brasileira de segurança em altura’’, diz, se referindo a equipamentos de segurança como capacete, cinto de segurança peitoral, cordas, mosquetão de aço, vestimenta confortável e resistente. ‘‘Vamos a uma altura onde a maioria talvez não consiga chegar. As pessoas ficam surpresas quando revelo o meu trabalho, acham que sou corajoso ou louco. Mas explico como tudo é realizado e elas se tranquilizam, passam a admirar minha profissão’’, conta Arjuna.

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