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sexta-feira, 05 de dezembro de 2008
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
As bicicletas do artista plástico Paulo Assis já são famosas e passaram por São Paulo, Rio de Janeiro, Suíça, Alemanha e Estados Unidos. Ele retrata o meio de transporte em diversos de seus quadros. Tudo começou em 1978, quando ainda estudava na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Assim que ele terminou um quadro de paisagem, o professor Fernando Calderari disse que a obra precisava de algum elemento, mas sem agredir a paisagem. Então veio a idéia da bicicleta. "Ela não agride a imagem do ambiente, mas sim compõe", conta Assis.
O artista não tem uma regra. Ele pode colocar uma como também várias bicicletas em um mesmo trabalho. "É muita bicicleta. Se enfileiradas daria para chegar até Cornélio Procópio", brinca o artista. Algumas pessoas até dizem que ele nem precisa mais assinar as obras, basta colocar uma bicicleta.
Para não ficar repetitivo, Assis costuma brincar com os objetos nos quadros. Então muda a forma com que as bicicletas são retratadas. Algumas chegam a ficar escondidas em algum espaço do trabalho. O artista acha que as paisagens precisam de movimento e o veículo de transporte surge para trazer esta função à obra.
Se de um lado as bicicletas fazem sucesso, de outro são os guarda-chuvas. O artista plástico e jornalista Bernardo Staviski pinta há 8 anos. Nos seus quadros o guarda-chuva sempre está presente. Ele diz que cada artista se identifica com certos elementos que possuem algum significado na cultura. Assim, isso é trabalhado e colocado dependendo da percepção do artista. "Essa coisa de perceber o objetivo da sua forma, pegando objetos que tenham haver com a percepção das pessoas, é uma característica bem individual. O objetivo é pegar um símbolo, um arquétipo, e com a própria percepção colocá-lo em um determinado contexto", explica Staviski.
O artista já fez mais de 100 quadros e participou de diversos salões de arte pelo Paraná e também em outros Estados, além de exposições individuais na Capital. Cada quadro possui um guarda-chuva. "O artista tem uma identidade visual e evolui em cima disso. Se ele varia muito fica difícil ter uma boa produção. É importante ter o trabalho identificado. A produção não cresce se o pintor sempre parte do zero", opina.
Staviski lembra o artista paranaense Fernando Calderari, que representa temas marítimos em seus quadros. Formado pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, já fez 15 exposições individuais e recebeu diversas medalhas e prêmios com seus trabalhos. Calderari tem obras em importantes espaços do País, como no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo e no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Além disso ele é citado no Dicionário de Artes no Brasil, na Enciclopédia Delta Larousse e no Dicionário de Arte do Ministério da Educação e da Cultura.
Bule com asas
A primeira exposição individual de Rogério Dias foi em 1977, mas três anos antes já pintava pássaros em seus quadros. Tudo começou quando juntava pedaços de madeira perto das praias de Guaratuba e Caiobá, local onde existia uma fábrica de lápis. Com os gravetos formava figuras de passarinhos. Foi a partir daí que os famosos pássaros de Rogério Dias 'voaram' para as telas dos quadros.
Hoje é um desafio para o artista saber quantos passarinhos já pintou. "Vamos fazer uma enquete com os leitores da FOLHA", brinca. Ele acredita poder entrar para o Guinness Book como o que mais pintou aves em todo o mundo. A maior parte dos quadros de Dias possui 12 linhas com 12 pássaros cada uma, totalizando 144 pássaros. Você arrisca um palpite na enquete?
Os pássaros de Dias fizeram sucesso em Praga, capital da República Tcheca, onde realizou uma exposição no mês passado. Por aqui é difícil encontrar quem não reconheça o trabalho do artista. "Fica mais fácil de ser reconhecido já que represento um mesmo elemento". Com o tempo os passarinhos foram ficando diferentes. Ultimamente o artista procura representar as aves de maneira mais fácil de serem identificadas, mesmo pintando o bicho com forma redonda, quadrada ou de outra forma. Isso ocorreu pois, com o passar dos anos, Dias transformou os pássaros em 'coisas' diferentes. "Um dia chamei o desenhista Cláudio Seto para tomar um café e ele disse: 'veja que interessante, o Dias pinta jarras, mas elas têm bico e asas"'.
A paixão em pintar pássaros é tão grande que, às vezes, Dias até se perde nos números. O ex-prefeito Rafael Greca pediu um quadro com 300 aves, em homenagem aos 300 anos de Curitiba. Na época, um jornalista havia publicado uma reportagem dizendo que, na realidade, a cidade possuía alguns anos a mais, o que causou certa polêmica. Enquanto isso Dias foi pintando a encomenda. Sem querer ele pintou mais de 300 aves, chegando, coincidentemente, no mesmo número ao qual o jornalista disse que a cidade tinha de idade. Para não causar problema, trocou os passarinhos que sobraram por imagens de pinhões.


