SOB O SOL DO ORIENTE - A paz é um dia na praia
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de agosto de 2009
Dália Nammari<br>Associated Press 
Bat Yam, Israel - Crianças risonhas constroem castelos, fazem desenhos na areia e jogam água umas nas outras, na primeira experiência de jovens palestinos provenientes da isolada Cisjordânia: um dia na praia.
Enquanto israelenses e palestinos são mantidos afastados cada vez mais pela desconfiança e barreiras de separação, organizações vem tentando uni-los em saídas como esta, acreditando que a paz é construída a cada encontro pessoal.
Dois desses grupos, Combatants For Peace e Machsom Watch, têm realizado viagens para praias israelenses para crianças palestinas e seus pais. Recentemente, cerca de 75 crianças palestinas viajaram de ônibus da região de Hebron, na Cisjordânia, para uma praia ao sul de Tel-Aviv, depois de cruzarem um posto de controle israelense a pé.
Para muitos palestinos foi a primeira visão do mar, e um momento de expectativa. ''Nós sentimos que temos de viver em paz e criar uma atmosfera para que nossos filhos tenham uma vida melhor do que a que nós vivemos'', disse Ziad Sabatein, 37 anos e pai de cinco crianças. ''Nós vivemos em meio ao levante (palestino) e os ataques dos dois lados, nós passamos por essas coisas juntos (com os israelenses). Por que não experimentar esta forma de vida?''
Os palestinos têm sido amplamente impedidos de entrar em Israel desde 2000, quando lançaram um levante contra a ocupação israelense e um sangrento confronto teve início. Embora os confrontos tenham diminuído, os moradores de Cisjordânia ainda precisam pedir permissões especiais para entrar em Israel.
As conversações de paz com o governo do presidente palestino Mahmoud Abbas, que controla a Cisjordânia, estão congeladas, em parte porque ele se recusa a negociar até que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, interrompa a construção de assentamentos judaicos no território.
Mas o líder israelense linha-dura levantou alguns postos de controle da Cisjordânia e prometeu estimular a economia da região, numa tentativa de melhorar o clima com os palestinos. Com a calma em boa parte reabilitada na Cisjordânia, Israel afrouxou algumas restrições à movimentação e tornou, de certa forma, mais fácil para alguns moradores conseguiram as permissões de entrada em Israel.
Por outro lado a Faixa de Gaza, controlada pelo grupo militante rival Hamas, continua isolada. Israel, que considera o Hamas um grupo terrorista, não tem relações com o grupo islâmico e tem imposto um bloqueio ao território costeiro, evitando que seus 1,4 milhão da habitantes entrem no Estado judeu, exceto em raros casos humanitários.
As permissões para as viagens à praia foram conseguidas pelos organizadores, mas alguns pedidos foram recusados pelas autoridades por razões de segurança. Numa manhã de segunda-feira, os palestinos de Hebron se encaminharam para a praia, segurando suas primeiras permissões de viagem em anos. Levou cerca de uma hora para que eles cruzassem o posto de controle. Israel diz que a barreira é para manter os militantes afastados, enquanto os palestinos a veem como uma tentativa de conquistar suas terras.
Ao chegarem em Bat Yam, ao sul de Tel-Aviv, algumas das meninas estavam tão ansiosas que retiraram seus longos mantos e lenços e pularam na água usando camisetas de algodão e calças. Suas mães, igualmente encantadas, mantiveram seus véus no lugar enquanto se sentavam em cadeiras de plástico na beirada da água e mergulhavam seus dedos na água.
Os organizadores israelenses lembraram as mulheres palestinas para que usassem protetor solar nas partes do corpo expostas ao sol e deram boias para as crianças, que brincaram por horas na água. Eles também levaram pão com creme de chocolate e fatias de melancia. Mais tarde, todos entraram num barco para um passeio de 40 minutos ao longo da costa.
Mas nem todo mundo ficou satisfeito com a atmosfera festiva. Ahmad Salameen ficou fora da água e mostrou descontentamento com o fato de sua filha dividir a praia com meninas israelenses vestindo pequenos trajes de banho. ''Se eu soubesse que seria assim, não teria vindo. Olhe para isso'', disse ele, apontando para meninas vestindo biquínis. ''Como um muçulmano, eu não deveria ter visto isto''.


