Quando João Batista, 60 anos, começou a trabalhar como cobrador no tubo localizado em frente ao Museu Oscar Niemeyer (MON), em 2000, o espaço cultural, hoje um dos mais destacados da Capital, ainda não existia. ‘‘Foi tudo muito rápido. Em sete meses, ficou pronto’’, lembra ele, referindo-se à obra inaugurada em 2002 e que alterou para sempre a visão de um dos pontos mais importantes da cidade.
  ‘‘O que vejo daqui são os turistas, que chegam perguntando tudo. Eu tento ajudar com informações’’, conta o mineiro de Carangola, que em 1989 mudou-se para Curitiba onde criou os três filhos. ‘‘Essa cidade é muito boa’’, resume ele, que nunca entrou ‘‘no museu do olho’’ por dar preferência aos parques na hora do lazer. ‘‘São todos lindos’’, define.
  Visão semelhante a respeito de Curitiba têm o psicólogo Jair Jr. e o professor Luís Fernando de Oliveira. Ambos são de Marília, no interior de São Paulo, e mudaram-se recentemente em busca de mais qualidade de vida e oportunidades de trabalho. ‘‘A organização da cidade é o que mais chama atenção, assim como as muitas áeas verdes’’, afirma Junior. ‘‘Eu vejo aqui uma cidade relativamente mais tranquila para se viver, que oferece fácil acesso ao transporte coletivo’’, acresenta Oliveira.
  Os jovens atores Paulo César Cândido, 23, Letícia Araújo, 19, e Ismael Araújo, 21, saíram de Arapiraca, distante 120 km da capital alagoana, Maceió, para participar do Festival de Curitiba com a peça ‘‘Jingle Bell’’, que está sendo apresentada ao ar livre, no Largo da Ordem.
  Paulo e os irmãos Letícia e Ismael, que estudam arte dramática em uma cidade onde não há um teatro sequer, foram ‘‘flagrados’’ em um momento de tietagem explícita a Curitiba. ‘‘Minha primeira visão da cidade foi a da arquitetura diferente. É tudo muito grande. Quando chegamos a um lugar como esse, a gente vindo de um local menor, sente logo vontade de morar por aqui’’, derrete-se em elogios, Ismael.
  Estudante de história, Paulo César destacou como visão positiva a ‘‘parte física da cidade, muito organizada’’, mas lamentou a pouca interatividade entre os participantes do festival. ‘‘Talvez por causa do frio’’.
  Para Letícia, no entanto, a visão de que paira uma frieza constante no ar não pôde ser ignorada. ‘‘Senti as pessoas um pouco mais distantes do que em outros lugares. E tem o frio, esse vento gelado que bate no rosto. Mesmo assim, valeu a pena vir pra cᒒ, garante. (L.X.)

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