Sob a bandeira do MAST
Desvinculados de qualquer movimento, de acordo com a Comissão Pastoral da Terra, os acampados que vivem em frente à Fazenda Santa Filomena, em Cidade Gaúcha (80 quilômetros a nordeste de Umuarama), e que já estiveram sob a bandeira do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (MAST), encontram-se no momento entregues à própria sorte.
Três anos esperando a porteira da fazenda abrir, mediante uma desapropriação, a maioria das 53 famílias, que reivindicam a área, somente volta para o acampamento no fim de semana, na expectativa de garantir o quinhão de terra. Os que ficam no acampamento são obrigados a viver entre cobras, escorpiões e ratos, enfrentando os efeitos do calor dentro das barracas. A única água disponível é a que o gado bebe, proveniente de uma caixa d'água sem tampa.
A representante da coordenação da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em Cidade Gaúcha, Vera Luiza Schwerz Gislon, lembra que, inicialmente, o acampamento foi erguido no município. Porém, o grupo se dividiu, perdendo a bandeira do MAST.
Vera ressalta que a falta de uma ideologia deixa esses grupos independentes vulneráveis: ''A importância de se ligarem a um movimento social mais forte é que conseguem ter força política para encaminhar a questão agrária. Quando surgiu o acampamento era um período de campanha eleitoral, e tinha muito envolvimento de candidatos na ocupação. Uma outra coisa que temos de ver é que toda a mídia coloca o MST como bicho-papão e eles têm medo''.
O superintendente do Incra no Paraná, Celso Lacerda de Lisboa, concorda que a região noroeste é uma das mais ''complicadas'' do estado, em razão da manipulação política da questão agrária. De acordo com ele, a maioria dos acampados é dissidente do MST que recebe incentivos de políticos. ''Isso complica muito porque entram interesses eleitorais. Por exemplo, temos diversos vereadores que sempre querem cestas básicas para distribuir aos acampados. Temos de tomar um cuidado grande com isso''.
(F.L.)





