Só existem três motogirls em um mercado onde mulher ganha mais
Em um mundo marcadamente machista, onde a mulher recebe menos para exercer o mesmo trabalho que um homem, a preferência pela mão-de-obra feminina por algumas empresas que fazem entregas de moto chama a atenção. Além de priorizarem mulheres, elas pagam até 40% a mais para o sexo feminino.
''Não sei se é porque as mulheres têm mais educação, pela maneira como se vestem, ou se são mais atenciosas no trânsito, mas algumas empresas exigem que sejam mulheres'', conta o presidente do Sintramotos, Tito Mori. São, em geral, empresas que precisam de um entregador para entregar diretamente seus produtos, como farmácias, escritórios ou o setor de alimentação.''Teve uma que já saiu ganhando R$ 900.''
Mesmo assim, a entidade só tem três motogirls cadastradas em Curitiba. Uma delas é Simone de Lurdes Barreira Inácio, de 24 anos, há 3 na profissão. Ela conta que, quando decidiu trabalhar usando a moto, chegou a ser disputada por duas empresas ao mesmo tempo. Agora está há um ano contratada por uma farmácia. ''A diferença está no trato com os clientes, e também no trânsito. A mulher não faz loucuras e os motoristas nos respeitam mais.''
Cerca de 20 mil motoboys trabalham em Curitiba e Região. Desses, estão cadastrados junto ao Sintramotos apenas 1.600, que são contratados por empresas prestadoras de serviço. Mori calcula que existam cerca de 600 dessas empresas espalhadas pela Grande Curitiba, mas menos de dez estão registradas e trabalham legalmente.
''Tem dois tipos de motoboy: o registrado em carteira e o que pensa que é autônomo'', diz o presidente do sindicato. Mori explica que a maior parte é ''enganada'' pelas empresas, pois faz serviços para uma empresa só e, portanto, deveria estar contratada, mas eles pensam que são autônomos. Essa situação, segundo Mori, complica-se quando o trabalhador não registrado envolve-se em acidente. As empresas alegam que não são responsáveis em caso de morte do condutor ou, ainda, pelo pagamento de prejuízos a terceiros. Ele alerta o usuário para uma tendência da justiça, que tem responsabilizado o tomador do serviço nesses casos. ''Quem paga a conta é quem contratou o serviço.''
Por isso, o sindicato defende a regulamentação da profissão, por meio de lei municipal, como o ''Projeto Moto Frete'', que tramita na Câmara dos Vereadores e que estabelece regras de funcionamento, cadastro das empresas, pagamento de seguro, entre outros itens.
O Sintramotos também é favorável à resolução 219 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que estabelece o uso de placa de categoria aluguel para motocicletas que são utilizadas por motoboys, exige uso de colete reflexivo e determina regras para caixas de transporte e capacete. A resolução é motivo de polêmica entre a categoria, mas Mori acredita que trata-se de desinformação, pois ela pode resultar em ganhos, como isenção de IPI na compra do veículo, e menor IPVA, a exemplo do que ocorre com taxistas. (M.G.)





