Durante treinamento de funcionários, algumas situações não podem ser reproduzidas. É o caso, por exemplo, de um acidente com guindastes em plataforma de petróleo ou de um capotamento de caminhão. O modo de agir geralmente é ensinado na teoria, sem a certeza de que terão capacidade de reproduzir o aprendizado em uma situação real. Para reduzir esse risco, muitas companhias têm adotado a tecnologia dos simuladores.
  A Oniria, produtora londrinense de softwares, é uma das poucas do Brasil especializada nesse tipo de aplicativo. A empresa, que começou na incubadora da Universidade Estadual de Londrina, atua nessa área desde o ano passado.
  Segundo o diretor-comercial da empresa, Juliano Alves, em áreas com movimentação de cargas, direção automotiva e treinamento industrial, os simuladores trazem vantagens quando se leva em conta fatores como segurança, compra ou aluguel dos equipamentos, gasto de combustível, desgaste e manutenção, interrupção de operações reais de produção e horas de instrução de pessoal.
  Os simuladores utilizam a mesma tecnologia dos games. Existe no entanto uma grande diferença. ‘‘O game é criado para não frustrar o jogador. Já os simuladores têm que ser realistas, mostrar que existem consequências em todos os atos. Dirigir um simulador é mais difícil que na vida real.’’
  O primeiro trabalho desenvolvido pela empresa foi um simulador para construção civil. Pouco depois, veio a parceira com a Petrobras, que estimulou a produtora a aprimorar o modo de trabalho, passando a produzir tanto software quanto hardware. O simulador de guindastes offshore, que deve contribuir na exploração do pré-sal, rendeu à Oniria prêmio de melhor fornecedor de serviços do ano.
Test-drive
  Para a New Holland, multinacional de equipamentos agrícolas, foi desenvolvido um simulador de colheitadeira, o primeiro da América Latina. O programa foi utilizado em uma feira agrícola para test-drive de um equipamento recém-chegado ao Brasil. ‘‘Em ambiente de feira fica complicado fazer test-drive’’, explica Eduardo Nicz, da área de comunicação da empresa. Atualmente, o simulador está no centro de treinamento que a fabricante disponibiliza para os operadores de clientes, em Quatro Barras (Região de Curitiba).
Produtos interativos
  Simulador de aplicação de agroquímicos leveou a Milenia aposentar os portfólios de seus produtos. A diretora de comunicação, Milena Holthausen, estima que cerca de 190 mil folders deixaram de ser
impressos.
  A atitude representou redução nos gastos com comunicação e no impacto ao meio ambiente. Informações institucionais puderam ainda ser adicionadas à apresentação que, em eventos, é transmitida em tela touchscreen. A intenção, a longo prazo, é levar terminais com o software a canais de distribuição dos produtos da indústria.

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