Donas do próprio nariz, Nina, Mariana, Graziela e Roseli não têm medo de assumir que gostam de namorar meninas, pois acreditam piamente neste desejo. Mesmo assim, já passaram por situações nada amigáveis. ''Minha prima ligou para o meu pai e pediu para eu não aparecer mais na casa dela. Meu pai disse que não tinha vergonha de mim e, se alguém devia ficar constrangido, era o pai dela, por deixá-la falar esse absurdo'', lembra Nina.
Decidida, Mariana acredita que as pessoas não conseguem enxergar a diversidade de situações que o mundo oferece. ''As pessoas acham que todo mundo tem de ser como elas. Sinto que não querem conhecer o próximo.'' Já para Tânia Navarro-Swain, historiadora e autora do livro ''O que é lesbianismo?'', a sexualidade é uma multiplicidade de práticas e a heterossexualidade criou uma norma histórica. ''É uma instituição política que define limites. O que me interessa é ver a sexualidade como uma das práticas do humano e não centralizá-la. Ela é uma função como outra qualquer'', afirma Tânia.
Feminilidade - Chiques, descoladas e vaidosas, elas raramente descem do salto alto. ''Dia desses, fui a uma balada heterossexual e recebi cantada de vários homens. Achei divertido'', conta Nina. Essa feminilidade provoca os homens e extermina o estereótipo que algumas pessoas têm das lésbicas - de que todas se comportam como homens. ''Adoro usar maquiagem e vestir peças curtíssimas. Meus amigos acham que sou perua'', brinca Mariana.
''Todo mundo fala que eu não tenho jeito de gay. Sou mulher e gosto de me vestir como mulher. Não vejo necessidade de me arrumar como homem para garantir o meu espaço'', reforça Roseli. Da mesma forma que na sociedade heterossexual, na qual existem as patricinhas, as modernas e as esportivas, Nina justifica as diferenças entre os gays. ''Antigamente, as assumidas eram as mais masculinizadas. Hoje em dia, as mulheres femininas estão se assumindo e isso surpreende todo mundo, principalmente os homens.''

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