Albari RosaHeppner, da Blatt: ‘‘facas e foices’’ para chegar ao clienteA curitibana Geanine Fernandes do Espírito Santo, formada em Letras, desde pequena se interessava por plantas e experimentos relacionados à botânica. Autodidata, fazia pesquisas em casa - onde conta com uma grande biblioteca sobre o assunto - e resolveu servir de ‘‘cobaia’’ aos primeiros experimentos práticos. Com base nos livros, misturava ingredientes extraídos dos vegetais e aplicava no próprio couro cabeludo. Por sorte dela, os resultados foram positivos a ponto de passar a receitar produtos a amigos e conhecidos que tinham problemas de queda de cabelo.
Com a ajuda do químico alemão Ernst Aichinger, a fórmula caseira foi transformada em produto. Em seguida, veio a marca - Blatt - que em alemão significa ‘‘folha’’. A microempresa, que está completando dez anos de atividade no setor de cosméticos, começou como farmácia de manipulação. Os primeiros clientes foram médicos dermatologistas e profissionais ligados à área de cosméticos.
Nos vários anos de pesquisa, a linha de cosméticos ganhou cerca de 30 itens à base de produtos naturais para o tratamento do cabelo, corpo e face (xampus, condicionadores, hidratantes e sabonetes, entre outros). Além do leite de cabra, considerado o carro-chefe da empresa, também são utilizados óleo de semente de uva, acerola, algas, castanha da índia e babosa.
Mas, como sobreviver num mercado de concorrentes gigantes? Segundo o gerente de marketing da Blatt Cosméticos, Francisco Carlos Reis Heppner, a estratégia da empresa é o ‘‘marketing de guerrilha’’. ‘‘Enquanto as grandes empresas utilizam ‘canhões’, com campanhas milionárias na TV, nós usamos ‘facas’ e ‘foices’, para tentar chegar mais perto do cliente’’, compara ele.
EstímuloA empresa optou pela venda porta-a-porta, contratando revendedores. Segundo o gerente, uma das grandes vantagens desse sistema é que ele se sustenta mesmo nos momentos de crise econômica. ‘‘Conseguimos atrair um maior número de revendedores quando as pessoas estão passando por dificuldades financeiras, já que elas procuram uma segunda fonte de renda e se esforçam para vender’’, explica. A empresa adotou uma política flexível e não exige uma quantidade mínima de venda. Para estimular os revendedores, oferece brindes e sorteio de prêmios.
Hoje, a Blatt comercializa 30 itens e fatura cerca de R$ 50 mil por mês. Além de novos cosméticos, a empresa está programando o lançamento de perfumes. Os revendedores - cerca de 100 - atuam no Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. A estrutura da empresa em Curitiba é extremamente enxuta. São oito pessoas ao todo - três na área administrativa, três na comercial e duas na parte técnica. A produção dos cosméticos é toda terceirizada - desde a manipulação dos ingredientes até os frascos e embalagens - mas sempre com o controle de qualidade.

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