Instaladas em outubro de 2000 na Rua XV, um dos pontos mais movimentados da cidade, 14 câmeras de vigilância foram responsáveis por uma queda de 60% nas ocorrências policiais. ''Inicialmente há um aumento, porque você passa a flagrar situações que antes passavam despercebidas. Mas depois começaram ações de prevenção, o que gerou essa queda'', explica o coronel Ariovaldo Neri Junior, diretor do Departamento de Promoção de Defesa Comunitária.
Segundo ele, o problema é que o crime não acaba, mas migra para outras áreas que não estão sob vigilância. ''Hoje temos grande problema na Marechal Deodoro e na Praça Tiradentes, por exemplo. Por isso há um plano de expansão, com a instalação de mais 50 unidades até o final de 2008, em pontos como o Largo da Ordem e as aveninas Marechal Floriano, Sete de Setembro e Silva Jardim. ''São áreas importantes e que precisam de cobertura'', relata.
Funcionária de uma banca de jornais, Suely Hiba aprova a vigilância, que já serviu para identificar ladrões de uma loja vizinha. ''Roubaram o quiosque de lanches durante a noite, roubaram até microondas. Aí falaram que foi feito reconhecimento dos ladrões pelas imagens, por isso acho que ajuda'', opina.
Mas também há opiniões contrárias. Para o desenhista e projetista Ailton Serpe, as câmeras ajudam, mas não são suficientes para combater o vandalismo, por exemplo. ''Olha aquela parede. Estamos em frente às cameras e ela está toda pichada. Isso certamente foi feito durante a madrugada. Se as câmeras não flagraram e não evitaram, é porque há algo errado'', alerta.
Outro problema, segundo Ailton, ocorre em plena luz do dia: dezenas de ciclistas, carregados com galões de água, circulando pela rua. ''Há várias placas dizendo que é proibido, mas ninguém faz nada. Não dava para ver pela câmera e vir aqui resolver isso?'', protesta.
A alternativa, segundo ele, é aliar o sistema eletrônico de vigilância com efetivo policial. ''Em Nova York colocaram milhares de policiais nas ruas e falaram: tolerância zero. Se uma atitude semelhante não for tomada por aqui, complica, vai ser dificíl resolver os problemas de segurança'', sugere o curitibano, que se diz do ''tempo em que passava ônibus na XV''. ''Essas coisas tem jeito, mas falta bom senso. Uma época colocaram guaritas por aqui, ficava um policial em cada uma. Depois tiraram. Por quê? Era uma boa idéia que foi deixada de lado. Por isso que falta bom senso'', alerta. (M.M.)

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