Sindicatos de empregados temem futuro
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quinta-feira, 10 de dezembro de 1998
Célia Baroni 
As entidades que representam os trabalhadores de Londrina e região estão pessimistas com a entrada do novo milênio. Não vêem possibilidade de melhora nas relações empregado-empregador e temem que as previsões de recessão e desemprego sejam apenas a ponta do iceberg do que realmente espera o trabalhador para os próximos anos. A humanidade tem de encontrar novos caminhos para garantir a melhor distribuição dos benefícios que resultam do desenvolvimento do sistema de produção, afirma o presidente do Sindicato dos Empregados nas Empresas de Transporte Rodoviário de Londrina, João Batista.
A entidade representa 8 mil trabalhadores de 75 municípios da região e tem 2 mil filiados. Só em Londrina, as empresas de transporte rodoviário empregam 5 mil funcionários. Se não houver um interesse em priorizar a acomodação de todos, a marginalização de um contigente cada vez maior da população é inevitável, concorda o vice-presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina, Manoel Teodoro da Silva.
As entidades concordam que a educação e a capacitação dos trabalhadores é indispensável para contornar o problema do desemprego. Mas ressaltam que não vêem interesse por parte dos governos em viabilizar a capacitação e facilitar o acesso à educação de qualidade. Os dirigentes ressaltam ainda que os empresários brasileiros também precisam passar por cursos de capacitação.
A visão empresarial do País tem de mudar. Hoje quando uma empresa vai mal, o empresário culpa a legislação trabalhista e demite para reduzir custos, quando bastaria um gerenciamento eficiente e uma redução da margem de lucro, defende Silva. O Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina representa cerca de 20 mil empregados; 20% menos que há cinco anos atrás. Sua maior preocupação é com a flexibilização das leis trabalhistas. Além do emprego, os trabalhadores estão perdendo direitos conquistados que garantiam a ele um mínimo de segurança, afirma.
A solução? Os dois sindicalistas afirmam que a solução não é local, não depende da cidade mas sim de uma política nacional ou mundial. A mudança vai acontecer por bem, através da conscientização de quem tem o capital ou à força, através da pressão dos marginalizados. Só não sei qual virá primeiro, afirma Batista.
Mas o pessimismo dos sindicalistas vira para um certo otimismo quando o assunto é Londrina. Londrina é privilegiada. Ela é a última cidade onde a crise chega e a primeira que a crise deixa, acredita Batista. Contentes com o processo de industrialização, os dois dirigentes acreditam que ele será o principal responsável por uma recessão mais amena. Mesmo assim o desemprego vai crescer e os problemas sociais vão se agravar. A cidade precisa se preparar para isto, comenta o presidente do Sindicato dos Rodoviários.
A perspectiva do inchaço da cidade, evidenciam, tormam prioritário o investimento nos setores básicos para dar suporte ao desenvolvimento eminente. Batista cita como exemplo o sistema viário da cidade que, segundo ele, está um caos e o sistema de saúde básico que classifica de precário.


