As entidades que representam os trabalhadores de Londrina e região estão pessimistas com a entrada do novo milênio. Não vêem possibilidade de melhora nas relações empregado-empregador e temem que as previsões de recessão e desemprego sejam apenas a ponta do ‘‘iceberg’’ do que realmente espera o trabalhador para os próximos anos. ‘‘A humanidade tem de encontrar novos caminhos para garantir a melhor distribuição dos benefícios que resultam do desenvolvimento do sistema de produção’’, afirma o presidente do Sindicato dos Empregados nas Empresas de Transporte Rodoviário de Londrina, João Batista.
A entidade representa 8 mil trabalhadores de 75 municípios da região e tem 2 mil filiados. Só em Londrina, as empresas de transporte rodoviário empregam 5 mil funcionários. ‘‘Se não houver um interesse em priorizar a acomodação de todos, a marginalização de um contigente cada vez maior da população é inevitável’’, concorda o vice-presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina, Manoel Teodoro da Silva.
As entidades concordam que a educação e a capacitação dos trabalhadores é indispensável para contornar o problema do desemprego. Mas ressaltam que não vêem interesse por parte dos governos em viabilizar a capacitação e facilitar o acesso à educação de qualidade. Os dirigentes ressaltam ainda que os empresários brasileiros também precisam passar por cursos de capacitação.
‘‘A visão empresarial do País tem de mudar. Hoje quando uma empresa vai mal, o empresário culpa a legislação trabalhista e demite para reduzir custos, quando bastaria um gerenciamento eficiente e uma redução da margem de lucro’’, defende Silva. O Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina representa cerca de 20 mil empregados; 20% menos que há cinco anos atrás. Sua maior preocupação é com a flexibilização das leis trabalhistas. ‘‘Além do emprego, os trabalhadores estão perdendo direitos conquistados que garantiam a ele um mínimo de segurança’’, afirma.
A solução? Os dois sindicalistas afirmam que a solução não é local, não depende da cidade mas sim de uma política nacional ou mundial. ‘‘A mudança vai acontecer por bem, através da conscientização de quem tem o capital ou à força, através da pressão dos marginalizados. Só não sei qual virá primeiro’’, afirma Batista.
Mas o pessimismo dos sindicalistas vira para um certo otimismo quando o assunto é Londrina. ‘‘Londrina é privilegiada. Ela é a última cidade onde a crise chega e a primeira que a crise deixa’’, acredita Batista. Contentes com o processo de industrialização, os dois dirigentes acreditam que ele será o principal responsável por uma recessão mais amena. ‘‘Mesmo assim o desemprego vai crescer e os problemas sociais vão se agravar. A cidade precisa se preparar para isto’’, comenta o presidente do Sindicato dos Rodoviários.
A perspectiva do inchaço da cidade, evidenciam, tormam prioritário o investimento nos setores básicos para dar suporte ao desenvolvimento eminente. Batista cita como exemplo o sistema viário da cidade que, segundo ele, está um caos e o sistema de saúde básico que classifica de precário.

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