Simpósio discute a figura do pai na família
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sábado, 16 de setembro de 2006
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Ao colocar Deus entre a ciência e a compreensão da origem do mundo, o Papa Bento XVI reorganiza uma órbita para tudo o que existe, inclusive as relações humanas, observadas não só do ponto de vista da antropologia, sociologia ou psicologia, mas também do mirante da fé.
A recente afirmação do sumo pontífice, durante uma missa na esplanada de Islenger Feld, em Regensburg, Alemanha, aponta o dedo de Deus também para outras preocupações da Igreja Católica, entre as quais, a família, estudada pela teologia.
Em Salvador (BA) já existe um curso de Mestrado em Família na Sociedade, coordenado por dom João Carlos Petrini, bispo-auxiliar da capital baiana, um dos palestrantes do Simpósio Teológico Pastoral sobre a Família.
Promovido pela Pontifícia Universidade Católica (PUCPR -Campus Londrina) e Movimento Apostólico de Schoenstatt, o evento começou ontem e encerra hoje, às 17h30, com uma missa.
Os mais escatológicos ao traduzirem em avaliações números que revelam que o divórcio aumentou 55% no Brasil entre 1991 e 2002, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), afirmam que a família pode estar vivendo a sua grande agonia.
Respondendo positivamente aos questionamentos de Bento XVI, que abjura uma ciência que não considera Deus, a Igreja pretende não só levar as famílias aos pés do Criador, como também tratar de suas feridas, através de um conhecimento iluminado pela fé.
O impacto da pós-modernidade na família que, atualmente, se assusta com uma média de duração das uniões de apenas 10 anos, sendo que 80% dos filhos de casamentos desfeitos são menores de 18 anos, tem grandes proporções na sociedade. Psiquiatras afirmam que a separação causa um estresse comparável em intensidade à dor da morte de uma pessoa querida.
O simpósio abre espaço para uma reflexão teológico-pastoral sobre as chances e desafios da família em parceria com a causa de beatificação de João Pozzobon, que iniciou a campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt, realizada em mais de 90 países.
Nascido no Rio Grande do Sul, Pozzobon (1904-1985) se tornou um modelo e a sua esperitualidade iluminará os debates do simpósio. ''A família na pós-modernidade precisa ser a imagem de Deus e a educação deve levar para a cidadania. A gente acredita que, o comerciante Pozzobon foi um pai de família, que teve sete filhos, e que deu respostas contundentes para as famílias de hoje. Entre os valores que ensinou estão a importância do pai e da mãe, da convivência social, sendo que iniciou um projeto em que conseguia casas para algumas pessoas até que tivessem condições de ter moradia própria'', ressalta um dos palestrantes, padre Alexandre Awi Mello, professor da PUC e organizadores do evento.
Na opinião do psicólogo e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), José Aloyseo Bzuneck, que ministrará a palestra ''A figura do pai na família de hoje'', os pais não devem pensar que podem educar os filhos à moda antiga. ''Os pais precisam ser muito vigilantes, com discrição, tentando saber com quem os filhos andam. Uma novidade nos tempos modernos é que pai e mãe precisam compartilhar a educação dos filhos'', comenta.
Professor do Departamento de Construção da UEL, o engenheiro Aron Lopes Petrucci, abordará em sua palestra ''Família geradora de cidadania'' a importância de colocar a família no topo da lista de prioridades. '' Pozzobon era um pai presente a tal ponto de manter um registro escrito de cada filho, que discutia com cada um deles. A atenção era individual. É importante lembrar que não existe o 'pai de família', mas o pai do Joãzinho, da Mariazinha...''


