Similaridades e diferenças
Desenvolver sensibilidade para reconhecer tanto as diferenças quanto as similaridades entre os filhos gêmeos é a principal dica da psicóloga Lisiane Steagall-Condé para garantir a individualidade das crianças. Mãe das gêmeas Isabelle e Louise, de 1 ano e 2 meses, ela tenta aplicar esse ensinamento diariamente na vida familiar.
''É preciso descobrir, por exemplo, que o choro das duas nem sempre tem a mesma motivação, pois as necessidades são diferentes. O maior desafio de ser mãe de gêmeas é saber que comportamentos parecidos não significam a mesma coisa. Tenho que decifrar duplamente, pois o que vale para uma não vale para outra'', ensina.
Para ela, reconhecer as diferenças significa também aceitar as similaridades. Ela e o marido, o arquiteto Christian Steagall-Condé, nunca compram roupas ou brinquedos iguais para as filhas. ''Mas se elas quiseram usar a mesma coisa, vamos respeitar. O mais importante é ficar atenta às crianças para ver como elas respondem''.
Lisiane também acredita que a parceria com o pai é fundamental para dar conta de duas crianças da mesma idade. ''O pai deve ter com os filhos a mesma intimidade que a mãe, pois é difícil abarcar as necessidades e a intimidade das duas o tempo todo'', afirma.
Abrir mão da exclusividade no cuidado com os filhos, delegando tarefas para parentes ou babás, é outra iniciativa recomendável. ''É fundamental que as crianças tenham confiança em outras pessoas, pois a mãe nem sempre vai estar disponível para os dois filhos.'' Essa divisão de obrigações ajuda os pais a terem mais disposição para lidar com os pequenos. ''É preciso estar inteiro para cada uma das crianças.''
Na prática, Christian enfatiza que pais de gêmeos precisam resistir às pressões sociais para que os filhos sejam tratados como iguais.''As meninas dormem em quartos separados e nem sempre saímos com as duas juntas. As pessoas se surpreendem com isso'', disse. (C.A.)





