Ao pensar no meio rural, a primeira imagem que vem a cabeça é de um imenso campo, árvores isoladas, fazendinhas, tudo bem longe do clima estressante das grandes cidades. Um elemento fundamental ao compor este cenário são os animais, podem ser os silvestres ou mesmo os domesticados como vaquinhas e cavalos. Os últimos, sempre estão soltos comendo o pasto. Para criar esse clima bucólico em alguns parques da cidade, é que o município mantém, desde 1990, um rebanho de ovelhas nos parques Barigui, Náutico e São Lourenço.
  Não se sabe de quem foi a idéia, apenas que foram levadas para o Barigui as primeiras ovelhas, que eram mestiças brancas. De lá para cá, foi feito um melhoramento do rebanho, retirando as brancas – espécie tipo ‘‘vira-lata’’ – e substituindo-as por ovelhas suffolk, que têm as patas e o rosto pretos. Para conseguir a pureza da raça, foram trazidos quatro reprodutores, que periodicamente são trocados. Hoje o rebanho é composto por 76 animais, dos quais 23 são filhotes, distribuídos nos três parques. A Prefeitura desconhece que exista rebanho de ovelhas em parques de outras cidades do País.
  ‘‘Além do clima bucólico que elas trazem aos parques, as ovelhas auxiliam no corte da grama, principalmente no verão. Elas deixam a grama rasteira por onde passam. No inverno é acrescentado à alimentação delas o feno, porque a grama não é de boa qualidade’’, informou a veterinária responsável pelo rebanho de ovelhas da Prefeitura, Ana Sílvia Miranda Passerino. Os animais, que são alimentados com ração balanceada, sal mineral e muito pasto, ainda dividem o espaço com marrecos, patos e gansos, boa parte deles abandonados pelas pessoas nos locais. Estima-se que existam mais de 100 aves nos parques.
  De acordo com Ana Sílvia, duas vezes ao dia, as ovelhinhas são soltas no parque, devidamente acompanhadas dos pastores. No parque São Lourenço, por exemplo, elas ficam no convívio das pessoas, das 9 às 11h30 e das 13 às 16h30, diariamente. Perto da hora de saírem, os animais já ficam berrando, como se quisessem lembrar o pastor que está na hora delas passearem. Ao abrir a porteirinha, elas saem todas organizadas, seguindo o comando do pastor. Só não resistem aos milhos jogados para alimentarem as aves.
  Em 2006 e neste ano, foram registrados o nascimento de trigêmeos no rebanho da Prefeitura, algo pouco comum para espécie. ‘‘O normal é a ovelha ter um ou dois filhotes, até porque ela só tem dois úberes. Tivemos uma que conseguiu sozinha cuidar dos três filhotes, que já cresceram e são saudáveis’’, explicou a veterinária, dizendo que cuidam do rebanho três pastores e auxiliares. ‘‘Também é importante a dedicação dos pastores. Teve um filhote que nasceu tão pequeno que ele não conseguia mamar na mãe. Então, o pastor primeiro apertava um pouco o úbere inchado da ovelha para depois ajudar o filhote a mamar. Isso foi imprescindível para que ele não morresse’’, pontuou ela.
  Segundo a veterinária, a população se interessa pelo bem-estar dos animais e o convívio no parque é pacífico. ‘‘As pessoas ficam curiosas, querem saber como acontece o manejo, tiram dúvidas sobre medicação, querem saber dos filhotes’’, contou Ana Sílvia. O carinho dos freqüentadores dos parques é visível. ‘‘Moro aqui nos arredores há 12 anos e não imagino o parque sem os animais. Já foram incorporados à rotina do parque. As ovelhas e os marrecos sempre estão aí, para dar mais graça à natureza’’, opinou a professora Aparecida Carvalho, de 49 anos, que caminhava no Parque São Lourenço.
  ‘‘Eles distraem a gente e tornam o parque ainda mais bonito. Sem eles, vir ao parque não teria o mesmo sentido para mim’’, disse a aposentada Lurdes Siqueira, de 58 anos, caminhando ao lado marido, o também aposentado Aramis Siqueira, de 60 anos. Nem mesmo o rastro de fezes deixada para trás pelos ovinos deixa o casal chateado. ‘‘É natural que eles façam. É só a gente desviar do coco’’, brincou Aramis. Todos os dias, as fezes dos animais são retiradas por funcionários dos parques.

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