Silêncio pesou na decisão da Renault
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segunda-feira, 29 de dezembro de 1997
Curitiba 
Enquanto os governos de Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul buscavam espaço na imprensa divulgando as reuniões e as sucessivas viagens dos governadores e secretários até a França para negociar com a Renault o local de instalação da primeira unidade da montadora no Brasil, o governo do Paraná trabalhou silenciosamente e nos bastidores.
De 17 de outubro de 1995 até a confirmação da instalação da fábrica em São José dos Pinhais o governo do Paraná recebeu 22 missões francesas, todas elas integradas por diretores ou técnicos da Renault.
A primeira iniciativa para a instalação da Renault no Paraná foi um fax enviado pelo governador Jaime Lerner, informando ao presidente da Renault, Louis Schweitzer, que o Estado estava se credenciando a sediar a nova fábrica da empresa. Schweitzer respondeu indicando Pierre Poupel, presidente da Renault no Brasil, como o executivo designado para comandar a execução do projeto.
Arquivo FolhaINFRA-ESTRUTURAAlém dos incentivos, a localização foi fundamental para a vinda da Renault
No Centro de Pesquisa da Copel, em Curitiba, em 17 de outubro de 95, teve início uma verdadeira operação de guerra do Projeto Renault. Naquela data, Poupel teve o primeiro encontro com o governador e os secretários do Planejamento, da Ciência e Tecnologia, da Habitação, da Educação, do Governo, e a presidência da Copel. A conversa em francês facilitou o entendimento e, a partir daí, os contatos foram acontecendo com frequência cada vez maior.
Ainda no primeiro contato, um fato curioso funcionou como sinal de que as negociações poderiam chegar ao final esperado pelo governo paranaense. Quando Pierre Poupel falava sobre o perfil da Renault - que possuía tecnologia avançada e um grande compromisso ecológico... -, um filhote de colibri pousou sobre a mesa da reunião, a cerca de 10 centímetros da mão do governador.
Num momento mágico, como se fosse um sinal das virtudes ecológicas do Paraná, o colibri foi pego por Jaime Lerner e entregue ao executivo francês, que em seguida libertou o pequeno pássaro. Segundo o testemunho de participantes da reunião, daquele instante em diante a descontração dominou o ambiente em direção ao entendimento.
O sigilo foi peça fundamental durante a operação e fazia parte de uma das exigências dos franceses: não poderia haver, sob hipótese alguma, o vazamento de informações. Ao mesmo tempo, a informação livre poderia sugerir pressão maior dos outros Estados interessados que também disputavam o investimento de US$ 1 bilhão e os 2 mil empregos diretos que serão gerados com o início da produção da nova fábrica.
Trabalho feito
nos bastidores


