Há cerca de 30 anos, o Brasil iniciou uma onda de criação de shopping centers que ainda está longe do fim. Enquanto as grandes cidades ainda recebem novos estabelecimentos, os municípios vizinhos começam a atrair a atenção dos empreendedores do setor.
Na Região Metropolitana de Curitiba, não é possível dizer que está em curso um boom de shoppings. Entretanto, inicia-se uma tendência de instalação de empreendimentos nas cidades na área de influência da capital paranaense.
A maioria tem perfil popular, voltado para as classes C, D e E, como o Colombo Park Shopping e o Shopping Metropolitano de Pinhais. O estabelecimento de Colombo, criado há um ano e oito meses, deixa nítida essa preferência logo na entrada: a primeira loja é uma banca de verduras e frutas. No restante do conjunto de 52 lojas, há opções de roupas, bolsas, perfumes, vídeo games, brinquedos, celulares. No andar superior, há uma regional da Prefeitura de Colombo, um auditório e juizados especiais.
''O shopping anterior, que funcionou aqui por seis meses, não tinha a preocupação de fazer um 'mix', variar. A dificuldade é fazer uma mistura, mas isso é normal em qualquer shopping'', explica Patrícia Regina Bach Cubo, administradora do Colombo Park Shopping.
O estabelecimento está localizado no bairro Alto Maracanã, comunidade de baixa média salarial. ''Antes, fizemos um estudo para saber se instalaríamos o shopping aqui ou no Centro de Colombo. Escolhemos aqui, porque o dinheiro gira mais. No Centro, como o pessoal tem mais condições, muitos preferem comprar em Curitiba'', diz Patrícia.
O Shopping XV, em Campo Largo, foi criado há quatro anos. ''No começo, era um shopping de divisórias, com 280 boxes, com perfil extremamente popular. Mas como a cidade é pequena, essa estratégia foi agressiva demais'', justifica Jorge de Paula Lopes, administrador do Shopping XV. Ele relata que o local não oferecia muitas opções para o consumidor e muitos boxes ficavam vazios.
No ano passado, a filosofia mudou. ''Não há mais divisórias, as lojas têm acabamento de alvenaria e são fechadas. Temos farmácia, lojas de roupas, de bijuterias, cafeteria, restaurante, escola de informática, cinemas'', diz Lopes. O Shopping XV está hoje com 24 lojas. Segundo o administrador, a idéia é expandir a estrutura física do local e aumentar o leque de opções para 220 lojas dentro de dois anos.
O shopping deve manter um perfil popular, mas busca também o público de maior poder aquisitivo. ''Não queremos elitizar o shopping, porém temos a intenção de agradar todas as classes'', afirma Lopes.

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