Shiitake se consolida em Ivaiporã
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quarta-feira, 06 de junho de 2001
Katia Baggio De Ivaiporã Especial para a Folha 
Há cinco anos, a região de Ivaiporã se viu impulsionada pelo cultivo de um produto incomum na região. O shiitake, o cogumelo comestível, foi introduzido nas pequenas propriedades agrícolas como alternativa de renda e chegou a dar à região o status de maior produtora do País, com 800 quilos por semana. Foi criada uma associação com cerca de 93 produtores de mais de 12 cidades e as perspectivas eram de aumento de produção. Depois de algum tempo, dificuldades financeiras e estratégicas transformaram essa realidade e o shiitake foi substituído por outras culturas.
Mas os 17 produtores que perseveraram e insistiram na produção do cogumelo comestível comemoram a boa produção e mercado garantido do produto. A garantia de rentabilidade estimula a ampliação da capacidade produtiva.
Atualmente, a região de Ivaiporã tem cerca de 50 mil toras produzindo semanalmente 400 quilos de shiitake. Um dos principais atrativos da cultura é a facilidade de manejo.
As toras de eucalipto, ou torinhas, como são chamadas por terem um metro de comprimento, recebem as sementes do produto, que demoram entre seis e oito meses para estarem prontas para a primeira colheita. As seguintes passam a ser mensais e é preciso substituir a torinha depois de 10 colheitas.
O agricultor João Andrade foi um dos primeiros a adotar o shiitake como alternativa de renda, antes garantida apenas pelo café. Atualmente, segundo ele, Jacutinga e Ivaiporã detêm o maior volume de produção do cogumelo na região.
Andrade se tornou comprador dos companheiros e responsável pelo repasse para intermediários, que levam o shiitake principalmente para o Rio de Janeiro, São Paulo e em menor quantidade para Curitiba. O quilo do produto para os supermercados e estabelecimentos especializados chega a custar R$ 14,00, por isso sabemos que o cogumelo não é considerado um alimento popular, mas o consumo está crescendo, avalia.
O produtor admite que também chegou a pensar em abandonar a cultura quando viu os vizinhos e companheiros desistirem. Mas com toda a infra-estrutura que tinha montado para a produção do cogumelo, resolveu insistir. Hoje, tenho 17 mil toras, que fornecem 120 quilos de shiitake por semana e R$ 2,5 mil por mês de lucro, em média, afirma. O custo é de R$ 0,40 por tora, que fornece 700 gramas, em média, do cogumelo. Andrade tem mais oito mil toras de eucalipto inoculadas com sementes de shiitake e diz que a produção tem venda garantida.


