Shake, testemunhas e dote para noiva
A cerimônia de casamento do libanês Radwan Raad, 36 anos, com Carolina Raad, 26, causa surpresa pela simplicidade. ''Fomos na mesquita, o sheik falou sobre o propósito do casamento, o que Deus espera de nós. Num contrato de casamento fica estipulado o dote para a noiva, uma multa caso ela seja abandonada pelo marido, já que não tem direito aos bens dele. No meu caso, coloquei R$ 1,00'', lembra Carolina. ''É como se fosse um casamento no civil, poderia ter sido até na casa dos noivos. O casamento mulçumano é muito simples. Basta o sheik, três testemunhas e o casal. Nos países árabes, o religioso é que importa, não o casamento no civil'', completa Radwan.
Os dois e conheceram numa festa, em 1999, e no ano seguinte veio o casamento. ''Segundo as tradições, os noivos não podem ter relação sexual e nem se beijar antes do casamento. Se acontecer um beijo, ninguém pode saber'', brinca Carolina. ''Eu era católica, mas naturalmente quis me converter ao islamismo. Não fui obrigada, até porque o mulçumano pode casar com pessoas de outra religião. Aprendi a rezar, fazer o salat (oração cinco vezes ao dia) e depois de casada passei a usar o lenço cobrindo a cabeça'', conta Carolina que tem dois filhos da união com Radwan.
''Sexta-feira é o dia sagrado dos mulçumanos. Nos vestimos com roupas bonitas para ir à mesquita. O mais difícil são os jejuns durante o ramadá, só podemos comer depois que o sol se põe. Imagina ficar vendo todo mundo almoçando e sentir cheiro de comida'', disse ela, que administra com o marido duas lojas de produtos árabes. Fora o trabalho, Carolina e Radwan gostam de estar juntos na cozinha, onde ela vira assistente do marido enquanto ele prepara quibe e outras comidas árabes.
''Nosso relacionamento é muito bom. Quando temos problemas, o sheik se preocupa, conversa conosco e nos aconselha a manter sempre a família unida, a nos respeitar. Não é proibido separação, mas o casamento é sagrado'', esclarece. ''As mulheres são muito respeitadas no islamismo. Elas não são obrigadas a cozinhar, lavar roupa, não são são depreciadas. Pelo contrário, são incentivadas a estudar, a fazer comércio'', defende Radwan. (F.G.)





