Sexo tântrico não deve ser desvinculado de outros fatores
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de junho de 2005
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A experiência do médico Alcides Marrocos, de Londrina, demonstra que a prática do sexo tântrico não pode ser desvinculada da aplicação do tantra nos outros aspectos da vida. Estudioso da filosofia, ele já esteve na Índia duas vezes. Em uma das ocasiões, passou três meses em um monastério tibetano estudando psicologia.
De modo geral, o sexo tântrico se diferencia do sexo convencional pela ausência de orgasmo. Segundo Marrocos, a prática pode ser realizada nas mesmas posições das relações sexuais comuns. A posição preferida dos adeptos, entretanto, é a do yogue: homem sentado, de pernas cruzadas, com a parceira sentada por cima. Para deter o orgasmo, é preciso utilizar técnicas de respiração. ''Sexo tântrico é praticado com consciência da respiração e de todo o corpo'', revela.
Para o tantra, atingir o orgasmo significa cessar a chamada energia ligante. ''O objetivo é manter a energia, alongando o processo de compartilhamento sexual'', esclarece. A relação, nesse contexto, dura mais tempo. ''À medida que o tempo passa, descobre-se novas dimensões de prazer'', diz, lembrando que a prática é também mais amorosa.
O orgasmo é substituído por movimentos de êxtase. ''É comum as pessoas gargalharem durante a relação'', conta. Ele lembra que no sexo tântrico, o homem está sempre disponível. ''Como ele não ejacula, também não se desgasta'', esclarece.
A adoção do sexo tântrico não depende apenas da vontade dos envolvidos. Sua prática se torna possível a partir da introdução de outros pilares do tantra. Essa filosofia, na Índia, precede a linha dos yogues. ''É uma tradição mais antiga'', diz.
A linha mestra é o ''não conflito''. O tantra não pauta a vida pela polarização entre certo e errado, mas por uma energia que antecede essa racionalização, chamada de primária. ''A criança, quando nasce, não tem o pensamento cognitivo que leva à polarização. Isso só acontece depois dos quatro anos'', exemplificou.
O tantra parte da silenciação da energia polarizada. ''A mente fica neutra, como um lago sem ondas na superfície'', afirma, acrescentando que esse estado é conseguido através da posição meditativa chamada ''posição tântrica''. Nesse estado, a pessoa pára de pensar, cessa seus conflitos internos e atinge o ''estado zen''.
Dentro desse contexto, o sexo tântrico ajuda os parceiros a encontrarem seus polares internos, fundindo as duas energias. ''O homem encontra sua mulher interna e vice-versa'', esclareceu.


