Fotos íntimas e eróticas de um casal de namorados de uma cidade do Norte do Paraná foram parar num site pornográfico da Internet. Isso não é tudo: as fotos de sexo explícito foram reproduzidas e estão sendo comercializadas também em CDs pela cidade, além de filminhos digitais estarem sendo encaminhados via e-mail de computador em computador. Na última semana, o fato virou assunto preferido nas rodas de adolescentes, jovens, adultos e acabou na Polícia, que está investigando o caso a pedido do casal.
Na semana passada, policiais apreenderam um dos CDs que estavam sendo comercializados no centro da cidade por R$ 5. O próximo passo, segundo os policiais, é procurar saber quem divulgou as fotos na Internet. ''Não é muito fácil, mas o mais importante agora é descobrir a autoria'', disse uma fonte da Polícia Civil.
Um especialista em sites adianta que é complicado identificar a autoria, mas com rastreamento é possível que a Polícia chegue ao autor. Ele informa ainda que o site do casal foi hospedado em um servidor de material erótico no exterior, mais precisamente em Istambul, na Turquia. Desta forma, fica difícil identificar o autor do site, já que qualquer pessoa pode se cadastrar no servidor de hospedagem grátis e divulgar as fotos que quiser pela Internet. ''É complicado, mas se fizer um rastreamento, é possível descobrir a autoria'', diz o especialista em sites.
Embora não exista lei específica para crimes cometidos via Internet, a legislação existente no Código Penal pode punir alguns crimes praticados virtualmente. Neste caso específico do casal, se as fotos foram divulgadas sem a autorização deles, em princípio trata-se de crime contra a honra previsto no código pela invasão da privacidade. ''O fato do casal tirar fotos fazendo sexo só diz respeito a eles. Agora quando se joga isso na Internet, é crime e pode trazer consequências materiais'', informou um advogado, lembrando ainda que se a garota fosse menor, a questão seria muito mais grave. ''Ela tem 18 anos, é maior e pode dispor da imagem dela, da vida privada dela, do corpo dela como bem entender'', complementa.
Fofoca Para a psicóloga Mary Neide Damico Figueró, professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e especialista em educação sexual pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana, é importante que o assunto seja abordado com seriedade, pois um fato como este está relacionado a dois aspectos: a curiosidade e a fofoca. ''A curiosidade é natural no ser humano. O sexo desperta esta curiosidade nas pessoas. Por outro lado, tem a questão da fofoca. Enquanto o assunto for tratado em nível de fofoca, não há crescimento, aprendizado. Não alerta, não previne'', explica Mary Neide.
Dentro deste contexto, a psicóloga enfatiza que a fofoca serve para diminuir e agredir as pessoas envolvidas, além de instigar casos semelhantes. ''Um caso como este deve trazer à reflexão. Deve ser usado pela família, pela escola para alertar, para refletir, para prevenir. É um momento oportuno para se conversar sobre a questão com os adolescentes'', argumenta. ''É importante neste momento questionar os adolescentes sobre o que eles acham disso, quais os riscos isso traz à vida das pessoas e o que levam as pessoas a fazerem isso''.
Mary Neide enfatiza ainda que a sociedade deve conversar sobre o assunto sem atirar pedras, mas se colocando no lugar do casal. ''Na psicologia nós chamamos isso de empatia. É hora de trabalharmos o respeito um pelo outro. Neste caso, acho que faltou a eles uma formação moral de base para que ambos levassem o sexo para uma relação objetal, mercadológica, de auto-afirmação, onde não há respeito pelo corpo. É bem possível que ela não tenha consciência do impacto que esse site e CDs podem causar na vida dela''.

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