A Tarada do Boqueirão. Humor e Tal, Pega Aqui no Meu... Pé. Eu Sou Minha Própria Mulher. Eu Quero Sexo. A Casa das Loucas ou Papai Não é Mamãe?. Homens Transam e Mulheres Fazem Amor, Por Que?. As Mentiras que os Homens que têm Namoradas, Noivos e Casados Contam. Tô Ficando. O Casamento da Minha Esposa.
Não, caro leitor. A lista acima não se refere às pornochanchadas dos anos 70 que passam nas madrugadas do Canal Brasil. São todos nomes de peças de teatro em cartaz somente neste mês em Curitiba. Uma coleção de títulos sugestivos e, acima de tudo, atraentes para o grande público.
Comédias, em sua maioria, esses espetáculos nem sempre tratam diretamente de sexo. Tampouco apresentam cenas picantes. E mesmo quando é o caso, o fazem de forma ingênua, nunca explícita. Mas é importante ter um nome forte, chamativo.
Nesse balaio, dramaturgias mais profundas acabam sendo confundidas com peças do gênero besteirol. Um bom exemplo é a já citada "Eu Sou Minha Própria Mulher", complexo monólogo do dramaturgo americano Doug Wright, estrelado por Edwin Luisi. Quantos não devem ter comprado o ingresso pensando se tratar de algo mais leve?
Como acontece no cinema, boa parte do público entra no teatro sem conhecer a temática do espetáculo. Os mais interessados, por sua vez, têm dificuldade de se informar, já que os guias culturais (impressos ou eletrônicos) cada vez menos dedicam espaços para sinopses. No frigir dos ovos, são levados pelos títulos.
"O título determina o fracasso ou o sucesso de uma peça. Principalmente nos primeiros dias, antes de começar o boca-a-boca", afirma Juscelino Zilio, dono do Barracão EnCena. O espaço atualmente recebe A Casa das Loucas ou Papai Não é Mamãe? e Tô Ficando, ambas escritas e dirigidas por ele. No fim do mês, estréia Na Horizontal Todo Mundo é Igual.
Juscelino admite que há uma certa herança das pornochanchadas na estratégia de criar títulos, digamos, marotos, inspirados em trocadilhos e referências pop. Mas faz questão de ressaltar o caráter inofensivo de seus trabalhos. "Qualquer criança pode assistir às nossas peças", garante o diretor, que também tem em seu currículo espetáculos como As Fervidas, Sex Appeal e Três no Motel.
Tô Ficando, ele explica, debate temas da adolescência. A Casa das Loucas é uma comédia de costumes sobre dois homens que se vestem de mulher para conseguir emprego. Na Horizontal trata de um casal com grande diferença de altura. "É tudo brincadeira, besteirol. Nunca levamos a coisa para um lado erótico, até porque o público não vai esperando ver sexo", diz.
Por fim, Juscelino lembra de um de seus maiores fracassos: a comédia O Assalto. "Quase ninguém se interessou e tivemos de encerrar a temporada antes do tempo previsto. Tenho certeza de que foi o título que matou a peça", afirma.

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