Seu nome não está na lista. E agora?
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quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Depois de estudar pelo menos cinco horas por dia, deixando de sair com os amigos, viajar com a família e até de assistir à tevê e acessar a Internet, muitos vestibulandos são obrigados a encarar a decepção de uma derrota. Nessa hora, a vontade é de jogar tudo para o alto, desistir, ou pelo menos mudar para um curso de acesso mais fácil.
A perspectiva de ter de enfrentar mais um ano de cursinho, com o mesmo conteúdo e as mesmas piadas, enquanto os colegas tornam-se universitários, pode gerar uma frustração e um desânimo capazes, inclusive, de comprometer desempenhos futuros, dependendo do caso. O que fazer, então, diante de uma reprovação?
''Quando o jovem vai olhar a lista, ele leva, além da esperança própria, a expectativa da família e dos amigos. A sensação que se tem é de desilusão, indignação, injustiça e tristeza, principalmente se ele for um bom aluno'', afirma a psicóloga, orientadora vocacional e supervisora geral pedagógica do Colégio Maxi, Celi Lovato. Celi esclarece, porém, que esses sentimentos são naturais em uma situação de perda.
Exatamente por ser da natureza humana, o vestibulando pode curtir a sua ''fossa'' sem problemas. ''Ele não pode negar seus sentimentos. Vivenciá-los vai ajudar a elaborar essa perda. Só é preciso cuidado para não deixar isso se transformar em depressão'', avisa a psicóloga.
Aos pais, ela recomenda que dêem força, e mostrem que estão do lado dele, apoiando. ''Nessa hora, não tem nem o que dizer. Ele vai precisar da força do pai e do colo da mãe. Então, por que não dar aquele abraço que ele ganharia caso fosse aprovado, e ainda mais forte?'', sugere.
Segundo Celi, o apoio dos pais nesse momento pode ajudar também a melhorar o relacionamento com o filho, especialmente se ele sentir que está sendo compreendido. Ou seja, nessas horas, recriminar e ameaçar só pioram a situação. ''É importante que a família e os amigos ajudem, estando juntos, convidando para um cinema, e, dependendo do grau de intimidade, conversando sobre o assunto'', recomenda.
Uma coisa é certa: segundo a psicóloga, isolar-se do mundo não é bom para ninguém. ''O estudante pode até passar um tempinho sozinho, mas é importante não deixar que isso se prolongue, até para evitar uma depressão'', ressalta, lembrando que superar a frustração de não ser aprovado leva um tempo, variável de acordo com a resiliência (capacidade de superação) de cada um, entre outros fatores.
O passo seguinte é analisar os resultados, buscando verificar o que foi feito corretamente e o que vai ser preciso mudar ou melhorar. Nessas horas, a psicóloga explica que é importante ter alguém não tão envolvido emocionalmente, para ajudar a identificar os pontos positivos e negativos. ''Pode ser um amigo, um parente, um professor ou um psicólogo. O importante é que não se busque a culpa, mas as causas. Muitas vezes, o jovem não fez nada de errado.''
Superada a tristeza, o jeito é tocar a vida para a frente. Quem passou um ano inteirinho dedicando-se aos estudos e privando-se de várias atividades de lazer, pode até tirar umas merecidas férias, mas sem se esquecer das responsabilidades para o ano, afinal, 2007 ainda está apenas começando. E que venha o Vestibular 2008.


