A novidade é importada. A utilização leva o jeitinho nacional. Trazido do Japão pelo empresário Flávio Miyasaki, o ''garçom rápido'' ganha, a cada dia, novos usuários. ''De uma doceria com quatro mesas, a uma choperia, com 70, a clientela tem gostado da novidade'', afirma o empresário.
Mas, afinal, o que vem a ser essa novidade? Trata-se de uma campainha instalada nas mesas dos restaurantes, que permite ao garçom visualizar em um painel, após o primeiro toque, o número da mesa que requer seus serviços.
Nos sete anos em que residiu no Japão, onde esteve a trabalho, Miyasaki constatou: presente nas principais redes de fast food, o garçom rápido dinamizava o atendimento. ''No Japão, uma cidade com 700 mil habitantes, por exemplo, chega a ter dezenas de cadeias de fast food. Com o garçom rápido, o trabalho era otimizado'', relembra.
No Brasil, onde o público é mais do que apressado e não se contenta em apertar a campainha uma única vez, há um tempo determinado entre o primeiro toque e o segundo. ''O normal são 30 segundos'', conta Miyasaki.
Para o empresário Marcos Takito, proprietário de uma pizzaria no centro da cidade, o advento do garçom rápido, em seus quadros, gerou mais conforto à sua clientela. ''Agora é chegar, apertar o botão, escolher o sabor da pizza e pronto. Os clientes gostaram'', revela.
A opinião é compartilhada por Oswaldo Oliveira, dono de uma sanduicheria, que viu, após a implantação do ''garçom'', sua freguesia e o quadro de funcionários com um sorriso de orelha a orelha. ''Acredito que o garçom rápido seja uma ferramenta para o cliente ser mais bem atendido. Nos horários de rush, o painel é de suma importância. Muitas vezes, não é omissão do garçom e sim uma questão de distância. O painel condiciona o garçom a estar mais atento'', explica.
Com todos seus prós, a utilização da engenhoca desperta a ressalva de Oliveira. ''O painel funciona. Contudo, nada daria certo se os restaurantes que o adotaram já não contassem com um pessoal treinado. O garçom rápido vem somar, não é inimigo e sim aliado do funcionário'', pondera.
Garçom e responsável pelo efetivo de funcionários da mesma sanduicheria, Sérgio Luiz Marçal faz coro ao patrão. ''A relação garçom, o ser humano, e garçom, o equipamento eletrônico, é de adição. A equipe gostou, o atendimento foi agilizado e agora damos ainda mais conta da demanda''.
Para o estudante de Direito Alvino Moreira Netto, que sai para jantar fora no mínimo seis vezes ao mês, houve uma mudança positiva de comportamento nos restaurantes que adotaram a novidade. ''O garçom automático facilita muito, pois, com ele, os garçons deixaram de interromper os clientes durante as refeições e só se dirigem à mesa quando são chamados''.
Mais do que isso. Agora, segundo Alvino, a galera do ''fundão'', que chega por último, tem vez. ''Antes, era comum você ter de chamar o garçom inúmeras vezes e ele se esquecer de ir à sua mesa. Acredito que essa inovação tenha facilitado tanto a nossa vida quanto a dos garçons, que deixaram de ouvir os chamados de moço, amigo, garçom, mil vezes ao dia. Daria dez à criatividade do inventor que, com um aparelho relativamente simples, conseguiu facilitar a vida de muitas pessoas''.
Estudante de Psicologia, Patrícia Estima, de 19 anos, também aprova o garçom automático. ''Não tenho mais a preocupação de o garçom estar ou não me olhando. Patrícia, que sai para jantar ao menos uma vez por semana, acredita que o ''garçom'' é vantajoso para todos os destinos que escolhe em seus momentos de lazer. ''Tanto em barzinhos, como em restaurantes, o garçom eletrônico é mais do que útil''.

* Primeiro verso da música ''Conversa de Botequim'', de Noel Rosa e Vadico

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