Componentes reprocessados viram compensados, que podem servir como tapume, e telhas ecológicas, bastante utilizadas em barracões, empresas e residências

Uma pequena empresa de Ibiporã, especializada na produção de telhas e compensados ecológicos, é responsável pela reciclagem mensal de aproximadamente 1,8 milhão de embalagens tetra pak - utilizada para leite longa vida.
A técnica, que mescla trabalho artesanal e industrial, foi inventada pela própria empresa produtora das embalagens. Cada embalagem tetra pak é composta por 75% de papelão, 20% de plástico e 5% de alumínio.
''A gente utiliza o plástico e o alumínio. Compramos de empresas especializadas nessa separação. O papelão é usado para produção de bobinas. O resto é rejeito para eles'', explica o proprietário da Nova Telha, Orlando Silva Camargo. De acordo com ele, no estado de São Paulo a produção das telhas ecológicas é comum há mais de 10 anos.
Faltam incentivos
A única queixa do empresário - que tem encomendas para um mês à frente da produção - é a dificuldade para obter a matéria-prima. ''A gente compra isso de longe, em Ribeirão Preto ou Porto Alegre. Em Londrina tem uma empresa que separa as embalagens, mas a nossa parte vem muito suja e não dá para usar. Se tivesse matéria-prima na mão, dava para aumentar a produção'', assegura.
A explicação indica que os benefícios ambientais, gerados pela reutilização das embalagens longa vida, acontecem no interior de São Paulo e no Rio Grande do Sul - e não em Londrina e região. ''Poderia haver incentivos para as empresas daqui fazerem a separação'', cobra o empresário.
As telhas ecológicas são bastante usadas em barracões, empresas e residências, e os compensados têm atraído a atenção de empresas construtoras por substituírem os tapumes de madeira.
Mais fresca e mais cara
De acordo com Orlando Camargo, a telha ecológica reduz em 30% a temperatura ambiente, na comparação com as telhas de amianto ou eternit. Em compensação, é 20% mais cara do que os materiais concorrentes.
A produção das telhas ecológicas começa com a secagem a céu aberto do plástico e do alumínio - retirados da parte interna das embalagens longa vida. Posteriormente, o material é acondicionado em diversas chapas e levado a uma prensa quente que derrete e comprime a matéria prima com 30 toneladas de força. Em 20 minutos, ocorre a fusão do material.
Ainda quente, as chapas podem ser colocadas em recipientes planos para produção de compensados ou numa forma ondulada para as telhas. O passo final é serragem das aparas. ''Antigamente era difícil vender, hoje está saindo bem por causa da propaganda boca a boca'', conta o empresário.
Avaliação acadêmica
''Trata-se da transformação de material, atualmente destinado ao lixo, em material de construção, com utilização muito nobre. Portanto, é muito melhor do que uma reciclagem'', elogiam as alunas do curso de Mestrado e Doutorado com Ciência do Alimento da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Karla Reis, Ana Paula Faria, Mary Yovana Redon, Nádia Steinmacher - que fizeram um estudo sobre a empresa.
De acordo com elas, além dos benefícios ambientais, a telha ecológica ajuda a reduzir o consumo de energia porque o material é um excelente isolante térmico.

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