Pressa, trânsito, barulho, poluição, violência, estresse. Mesmo hoje sendo domingo, só de ler essas palavras você já deve ter imaginado um dia daqueles de trabalho intenso. Acalme-se. A intenção desta matéria é fazer com que você esqueça tudo isso, conhecendo um passeio dos mais interessantes, recheado de sombra, ar puro, som de pássaros cantando e verde, muito verde. Em outras palavras, uma atividade muito indicada para quem está precisando de um ''refresco para a mente'' e quer aprender, na prática, valiosas lições de ecologia e até da história do desbravamento de Londrina.
Estamos falando do Parque Estadual Mata dos Godoy, que fica na região Sul, no patrimônio Espírito Santo, a 15 km do Centro da cidade. São 690 hectares de área de preservação, o que equivale a mais de 700 campos de futebol. Só de mata nativa são 675 hectares. Algumas árvores que estão ali têm mais de 500 anos, ou seja, já habitavam o país quando a comitiva de Pedro Álvares Cabral tomou posse do Brasil.
Desde 1989, quando o governo estadual comprou a mata da família Godoy para criar a área de preservação, o parque é administrado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que disponibiliza duas trilhas para passeio.
Verde X Concreto - Uma delas, a dos Catetos, tem 1,2 mil metros de extensão e permite que os visitantes caminhem sem guias. Essa trilha foi utilizada como estrada durante muitos anos pelos antigos proprietários do lugar. Era a ligação da PR-538, atual rodovia Olavo Godoy, com a sede da fazenda que durante muito tempo foi ocupada por cafezais e depois por pastagens.
Uma das atrações é um marco indicativo de onde passa a linha imaginária do Trópico de Capricórnio. Ali está uma das provas de que tudo é vida na Mata dos Godoy. Até sobre o concreto do monumento brotam plantas.
Na outra trilha, mais estreita, feita pelo IAP, o passeio só é permitido com o acompanhamento de monitores. ''É um percurso interpretativo'', explica a gerente do parque, Leliana Casagrande Luiz. E realmente há muito para ser interpretado por ali. Uma das primeiras coisas que vemos são pés de café, mirradinhos, apesar de seus mais de 50 anos.
Eles estão ali, no meio de uma mata nativa, devido a um fenômeno que os biólogos chamam de ''efeito de borda''. Ou seja, como a mata foi rodeada de cafezais durante diversos anos, animais acabaram levando as sementes de café para o meio das árvores. A planta brotou mas não conseguiu se desenvolver devido à falta de luminosidade.
Abrigos de raiz - Um pouco mais à frente, uma enorme figueira. A árvore é imponente, alta. Porém o que chama mesmo a atenção são as suas raízes, que se estendem sobre o solo, formando verdadeiras paredes. ''Os colonizadores aproveitavam as raízes das figueiras para construir seus abrigos. Era só jogar uma lona por cima de duas delas e estava pronto um verdadeiro quarto'', conta Leliana.
E por falar nos primeiros habitantes de Londrina, no meio daquela densa mata, com árvores como as perobas, de mais de 30 metros de altura, dá para se ter uma idéia do trabalhão que os desbravadores tiveram para transformar o que era mata em área propícia para a agricultura.
Continuando o passeio, uma peroba que caiu há mais de cinco décadas mostra que as leis da natureza são justas e solidárias. Sobre o tronco da árvore quase morta, a vida se renova. Outras plantas brotaram e crescem fortes. Algumas já passaram dos 30 anos.
Para terminar a trilha, que tem 750 metros dentro da mata nativa, a última lição é de persistência. Um Pau D'alho luta com todas as suas forças para continuar sobrevivendo. O tronco está praticamente sem vida, todo podre. Mal dá para acreditar que, na copa, a insistente árvore ainda tenha galhos sadios e folhas verdes. ''A planta não se entrega'', finaliza Leliana.

Serviço
O parque recebe grupos agendados de terça a sexta-feira. Para marcar a visita é preciso entrar em contato com o IAP. O telefone é (43) 3373-8700. O dia reservado para o público em geral é o domingo, das 13h às 17h.
Os passeios são gratuitos.

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