SEU AMBIENTE, NOSSO AMBIENTE - Óleo de cozinha usado pode virar sabão
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de setembro de 2007
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
Uma das grandes dúvidas do consumidor nestes tempos em que o cuidado com o meio ambiente se tornou obrigatório para a sociedade refere-se ao descarte do óleo utilizado na cozinha. As companhias de saneamento desaconselham o descarte na rede de esgoto, seja pela pia ou pela privada, alegando que o produto prejudica a purificação da água.
O assessor de recursos hídricos da Secretaria de Meio Ambiente, João Batista Moreira - o João das Águas -, concorda com essa análise. ''A gordura fica impregnada na parede das galerias e vai atraindo sujeira, como cabelo, e impede a passagem do esgoto. Com isso, aumenta-se o risco de vazamento e contaminação dos rios'', afirma.
A princípio, o descarte em porções de terra não causa contaminação. Mas e as milhares de pessoas que moram em prédios? O que devem fazer?
A melhor solução para isso é bastante antiga, praticamente desapareceu há algumas décadas, mas vem retornando com auxílio da consciência ambiental: a transformação de óleo em sabão. Seja nas residências ou apartamentos.
Muitos poderão torcer o nariz, mas a reportagem da FOLHA constatou que 4 litros de óleo usado em qualquer tipo de fritura são facilmente transformados em 60 pedaços de sabão, que podem ser utilizados em praticamente todas as partes da casa.
Para obter um bom resultado, é preciso adicionar alguns ingredientes que não custam mais de R$ 10. No mais, é necessário apenas seguir à risca as instruções da funcionária aposentada da Sercomtel, Nilza de Castro Marconi, de 57 anos (veja info nesta página). A dona de casa aprendeu a técnica na fazenda que a família possui na região noroeste do estado e de lá para cá vem incentivando diversas pessoas a tomar a mesma atitude.
''O foco principal é a preservação do meio ambiente, a gente reutiliza o óleo e ajuda a não poluir nem jogar no esgoto. Guardo tudo para o sabão'', conta ela. ''Além disso, é uma atitude que dá uma satisfação pessoal. A gente sabe que está ajudando o ambiente''.
A qualidade do sabão caseiro satisfaz inteiramente a dona de casa. ''Considero de ótima qualidade, ele rende e faz bastante espuma. Limpa bem a louça, roupa, qualquer coisa. Além disso, decompõe-se mais devagar do que o sabão comum''.
A quantidade de sabão é tanta, ao final de cada lote fabricado, que dona Nilza distribui o excedente entre familiares e vizinhas. ''Tenho uma amiga que usa para lavar a roupa do marido, que é mecânico. Ela raspa uns pedaços na máquina de lavar e diz que não tem melhor'', explica. Dona Nilza conta ainda que os 'fabricantes' de sabão caseiro podem acrescentar essências de sua preferência - como eucalipto e pinho.
Outra pessoa que gostou da 'novidade' é uma lavadeira que já trabalhou em sua casa. ''Essa minha antiga ajudante lava para fora, então para ela foi excelente porque economiza em matéria-prima''.
O assessor de recursos hídricos da Sema, João das Águas, acredita que a fabricação de sabão deveria ser incentivada pelo poder público. ''Por exemplo, isso poderia ser feito em favor dos catadores de recicláveis. As pessoas guardariam em garrafas pet, colocariam junto com o lixo reciclável e as ONGs poderiam ampliar a renda com a venda do sabão''.


