SEU AMBIENTE, NOSSO AMBIENTE - Mutirão verde em defesa do planeta
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de fevereiro de 2008
Ciça Vallerio<br>Agência Estado 
São Paulo - Você já plantou árvores? Não uma, nem duas, mas muitas? Se a resposta for negativa, então prepare-se para a empreitada. A diferença é que, agora, ninguém precisa cavar buracos no chão com as próprias mãos. Muita gente, inclusive empresas, está pagando para tal. O objetivo é para lá de nobre: combater o aquecimento do planeta, neutralizando (ou compensando) a emissão de gás carbônico (CO2), despejado às toneladas na atmosfera e um dos seis gases responsáveis pelo efeito estufa.
A onda carbon free (neutro em carbono) está pegando no Brasil - para o bem e para o mal. Enquanto existem pessoas e empresas verdadeiramente preocupadas com o problema ambiental, há quem apenas lance mão dessa iniciativa para tirar proveito do bom marketing empresarial das ações ecológicas. A procura por esse serviço cresceu tanto que começam a proliferar ONGs e empresas - algumas com trabalhos sérios, outras mais para o oba-oba.
Para o ambientalista Antonio Carlos Matarazzo, 47 anos, autor do livro ''Aquecimento Global - A Solução é Você'' (Editora Millennio), o plantio de árvores para neutralizar a emissão de CO2 deve ser uma atitude moral cotidiana, o que implica em mudanças de hábitos e costumes. ''De que adianta plantar se a pessoa continua lavando a calçada com água tratada, sabendo que a reserva de água potável no planeta é só de 1%? Ou usando indiscriminadamente sacos plásticos e não fazendo a coleta seletiva de lixo?''
Matarazzo engajou-se na causa ecológica após ter velejado sozinho durante dois anos mundo afora. Abandonou sua profissão rentável, de perfusionista cardiovascular (especialista em circulação sanguínea, que atua em cirurgias cardíacas), para acompanhar a oscilação do nível do mar em ilhas brasileiras, causada pelo aquecimento global. Daí surgiu o projeto Ilhas Brasileiras, instituição sem fins lucrativos voltada para a preservação e documentação desses pequenos pedaços de terra, que correm o risco de sumir do mapa - literalmente.
O desbravamento de mares e a redescoberta da natureza tocaram fundo o velejador e transformaram sua vida. Ele deixou de ser consumista, mudando seus hábitos em prol do planeta - e de seus filhos, netos e descendentes que vão povoar o globo no futuro. Só para dar um exemplo, em vez de transitar num carrão, Matarazzo locomove-se numa moto a álcool. Os dois aviões, a lancha e a caminhonete usados no monitoramento das ilhas também são alimentados com esse combustível, que causa menor dano à atmosfera.
O carbon free funciona da seguinte maneira: com base na rotina de alguém ou na atividade de uma empresa, são realizados cálculos específicos para saber quanto de CO2 é lançado na atmosfera. Entram nesse levantamento, conhecido por ''inventário'' itens como quilômetros rodados de carro (o principal vilão), lixo (porque vai para o aterro, que libera gás metano, outro veneno planetário), consumo elétrico, entre outros.


