A poluição atmosférica por veículos automotores - entre carros, ônibus e caminhões -, um dos principais problemas ambientais de Londrina e de outras grandes cidades paranaenses, não passa por fiscalização. A constatação é do presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma), Fernando Barros.

Para ele, este e outros males ambientais carecem de envolvimento da população e melhor estrutura dos órgãos públicos para serem superados. Além dos danos à saúde humana, a emissão excessiva de gás carbônico é um dos principais agentes do processo de aquecimento global - que promete mudanças drásticas no clima da Terra nos próximos anos.

Nesta entrevista a ''Seu Ambiente, Nosso Ambiente'', Fernando Barros avaliou também a arborização de Londrina e a atuação do polêmico secretário da Sema, Gérson da Silva.

Poluição atmosférica por caminhões, ônibus e automóveis
A legislação brasileira é muito boa, e paranaense em especial, mas ela ainda não foi colocada em prática por aqui. Em Estados como o Rio de Janeiro você tem que fazer uma inspeção veicular a cada ano. Quando se vê um caminhão soltando aquele volume enorme de fumaça, com certeza há uma irregularidade legal e ambiental. O correto seria anotar a placa do veículo, informar o IAP ou a Sema para que sejam tomadas providências: são coisas que parecem tão óbvias, mas infelizmente não temos instrumentos ainda para isso. E o caso dos veículos não trata somente da emissão de monóxido de carbono, há o problema de outros gases poluentes, como enxofre, oriundos da queima imperfeita do combustível. É preciso se criar em Londrina alguma forma de fiscalizar e ter um controle sobre isso. A população também tem que fazer sua parte e procurar uma oficina quando perceber que seu veículo está gerando muita fumaça.

Ecologia nos dias atuais
Na verdade, desde que surgiu, o homem vem se desenvolvendo sem se dar conta dos impactos de suas ações. Foi somente nos últimos anos que percebemos o problema ambiental. Eu mesmo, que sou engenheiro, fui treinado para desbravar a natureza, derrubar florestas e fazer estradas. A própria história de Londrina se confunde com isso, era o conceito da época. Agora, principalmente com esses relatórios da ONU sobre mudanças climáticas, percebeu-se que os insumos naturais são finitos e as consequências dessa história são drásticas. Atualmente, ser ecologista não tem nada a ver com ser xiita, nada disso. O que é preciso fazer são adaptações e pequenos ajustes de procedimentos - dentro do nosso dia-a-dia.

Drenagem urbana
Por mais que haja varrição, há uma quantidade enorme de lixo nas ruas que cai nos bueiros e vai parar nos rios levada pela chuva. Os bueiros acabam virando latas de lixo. O Consemma já se reuniu com o secretário de Obras e levou uma proposta de bueiro ecológico com uma grelha para reter sólidos grandes. Nós queremos nossos rios limpos ou não? Se queremos, não podemos continuar fazendo como estamos fazendo. Outra coisa, as pessoas não respeitam a Lei dos 20% de permeabilidade nos terrenos e isso prejudica a recarga dos lençóis freáticos. A água encontra dificuldade de infiltrar no solo e isso enfraquece as nossas nascentes.

Arborização em Londrina
Essa é uma questão fundamental, ainda mais com as mudanças climáticas. Quem quer gás carbônico são as árvores, elas precisam de gás carbônico. É como se elas estivessem dizendo: me dá gás carbônico, me dá gás carbônico, e em troca eu dou oxigênio para vocês (risos). Todo mundo quer sombra, temperatura agradável, mas para isso tem que ter árvore. A secretaria de Meio Ambiente está elaborando um plano de arborização e já solicitamos que seja acelerado (deveria ter sido entregue em outubro do ano passado e já sofreu inúmeros atrasos). Nossa idéia é que não se trata de um plano do secretário ou do prefeito, é um plano da cidade, de modo que entre um prefeito saia outro, aquele plano está em vigor. Nós precisamos de muito mais árvores em Londrina.

Estrutura dos órgãos de fiscalização
A questão ambiental tomou outro vulto nos últimos anos e infelizmente esses órgãos não estão sendo estruturados para atender à nova demanda e à expectativa da sociedade. O IAP tem feito um trabalho bastante bom em Londrina, mas tem pouquíssimos funcionários, não faz concurso há muitos anos e acaba colocando estagiários. A Sema vem sendo estruturada aos poucos, mas está muito deficiente ainda em equipamentos e pessoal. O Ibama é a mesma coisa, são poucos funcionários para uma área de atuação enorme. E o Ministério Público também tem uma estrutura pequena e necessita de um corpo técnico para apoiar.

Atuação do secretário municipal de Meio Ambiente, Gérson da Silva
De um lado, ele tem dado outra dinâmica na secretaria quanto ao funcionamento e agilidade nos processos. É um ponto positivo. Agora, tem o outro lado: é uma pessoa bstante polêmica, até mexo com ele dizendo que o pavio dele não é curto, ele não tem pavio (risos). Então, às vezes para se discutir algumas coisas não é fácil, ele não é agregador e acaba criando determinadas polêmicas que acho que não precisavam ser criadas.

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