A mensagem do relatório Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, mostra que o planeta não tem recursos suficientes para sustentar os atuais níveis de consumo. Não só o consumo de água e energia, mas também de produtos industrializados e de embalagens. ''No ritmo de exploração e de desequilíbrio que este consumo provoca, dentro em breve estaremos precisando de mais uma Terra'', alerta o professor Elian Alabi Lucci, diretor da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB). Para ele, estamos exigindo do planeta mais do que ele pode dar e, por outro lado, sem lhe propiciar tempo suficiente para se recompor e continuar fornecendo o que o homem ganancioso de hoje quer.
Na verdade, não é de hoje que se ouve dizer que as medidas em relação ao aquecimento global e ao efeito estufa são cada vez mais urgentes, pois podem ter consequências graves, não só para as gerações futuras, mas para nós mesmos, em um curto período de tempo.
Finitude de recursos - Mesmo conscientes disso, as pessoas não sabem muito o que fazer diante de tantas informações sobre o tema. ''Esta situação'', diz Elian Lucci, ''exige mudanças de hábitos, de comportamentos, de atitudes de cada um de nós em relação ao ar, à água, ao solo, dada a pressão que estamos exercendo sobre esses recursos indispensáveis à vida, esquecendo-nos de que eles são finitos, assim como também nossa vida é finita''.
A agrônoma e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ana Maria de Arruda Ribeiro, partilha do mesmo pensamento. Para ela, o engajamento do cidadão em uma questão tão urgente como a do aquecimento global faz-se necessário nas pequenas atitudes cotidianas. A dica de Ana Maria é para que cada um faça a sua parte para ver o resultado no coletivo. Para ela, é possível estabelecer metas individuais visando amenizar o efeito estufa e as mudanças climáticas.
Consciência nunca é demais - Ao mesmo tempo, contudo, não é fácil a conscientização, até porque as mudanças climáticas não são sentidas de imediato. ''Se individualmente a pessoa não se conscientizar para que o coletivo tome uma atitude, será preciso adotar medidas drásticas no futuro'', sintetiza.
Não andar mais de carro seria uma medida drástica no momento, na opinião da professora. ''Não é por aí, não precisa deixar de andar de carro, mas ter a consciência de que você pode ir a determinados lugares a pé para evitar a poluição'', argumenta, acrescentando: ''Não precisa radicalizar, mas ter equilíbrio. O equilíbrio é a palavra chave na vida das pessoas''.
Mudar é necessário - Ela reconhece, no entanto, que mudar padrões de consumo e comportamento não é um objetivo fácil de ser alcançado. ''Muitas vezes a pessoa diz 'vou jogar um saco plástico no lixo, é um só mesmo!'. É essa mentalidade que precisa mudar, independentemente se o seu vizinho joga ou não. A pessoa precisa se conscientizar e conscientizar quem está próximo''.
A participação de cada indivíduo é essencial na questão das mudanças climáticas. O pesquisador e responsável pelo setor de agrometeorologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Paulo Caramori, faz algumas observações sobre as dificuldades de mudanças de hábito. ''Se você tem quatro carros na sua casa, você está pronto para abrir mão de dois?'', questiona o pesquisador, complementando com outra pergunta: ''Como fazer isso se a gente não tem transporte adequado, não tem ciclovias como no Canadá? Usar a bicicleta seria uma prática interessante''.

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