SEU AMBIENTE, NOSSO AMBIENTE - Decifrando o crédito de carbono
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de julho de 2007
Heloísa Prado<br>Reportagem Local 
Com certeza você já ouviu falar em créditos de carbono e mercado de carbono em algum noticiário, seja na TV, no jornal ou na internet. Mas, afinal, você sabe o que isso significa e o quanto é importante para o bem-estar da humanidade?
Trocando em miúdos, créditos de carbono nada mais são do que certificados que dão o direito de poluir. Numa esfera menor, é como se você e seus vizinhos tivessem que cumprir metas na coleta do lixo reciclável para compensar outras formas de poluição (os gases emitidos pelos carros, o esgoto gerado e a energia elétrica consumida) e manter o equilíbrio ambiental de vários bairros. Os mais conscientes conseguiriam até mesmo acumular mais créditos do que o necessário.
Suponha ainda que um de seus vizinhos tenha vários carros, use uma quantidade enorme de água e energia e gere muito lixo orgânico por mês. Para este vizinho compensar toda esta poluição ele teria de cumprir uma meta maior. Como ele ''não deu conta do recado'', procura os demais vizinhos e compra os créditos excedentes que alguns conseguiram. É assim que funciona o chamado mercado de créditos de carbono, só que em uma esfera mundial, onde os cáculos são baseados em toneladas de poluentes lançados todos os dias na atmosfera da Terra.
A idéia de criar um mercado que regulasse a emissão de gases poluentes surgiu a partir da necessidade de se reduzir as consequências do efeito estufa, um fenômeno gerado pelos gases lançados na atmosfera.
Protocolo de Kioto - A mobilização mundial em favor dos ecossistemas começou em 1972, em Estocolmo (Suécia), com a realização da 1 Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente, passou por várias outras conferências, e culminou com a Conferência de Kioto (Japão), em 1997, que foi a mais abrangente e da qual resultou o famoso Protocolo de Kioto.
De acordo com a jornalista Laila Pacheco Menechino, membro da ONG MAE (Meio Ambiente Equilibrado), com sede em Londrina, o Protocolo de Kioto obrigou os países industrializados e responsáveis por 80% da poluição mundial a diminuírem suas emissões de gases formadores do efeito estufa, como o monóxido de carbono, enxofre e metano em 5,2% (média mundial), entre os anos de 2008 e 2012. Essa redução deve ser realizada com base no índice global registrado em 1990.
Desenvolvimento Limpo - Um dos sistemas criados pelo Protocolo chama-se Mecanismo do Desenvolvimento Limpo (MDL). Por esse mecanismo os países industrializados que não cumprirem suas metas de redução de elementos poluentes compram o direito de poluir, financiando projetos de redução da poluição em países em desenvolvimento, que poluem bem menos.
Segundo Laila Menechino, que também se especializa na área de Direito Ambiental, para evitar abusos nesse sentido, o Protocolo estabeleceu que apenas 1% da meta prevista para cada país pode ser compensada em outros territórios.
Entre as atividades mais indicadas para gerar os certitificados estão o reflorestamento, a captação do gás metano de aterros sanitários ou fazendas de suínos (produção de biogás) e a substituição total ou parcial do óleo diesel pelo biodiesel em automóveis, ônibus e caminhões.
Um projeto que resultar em diminuição do impacto ambiental e for aprovado pela sede do MDL, em Bonn (Alemanha), pode lançar os Certificados de Redução de Emissões (CREs) - papéis negociados no mercado financeiro.
O que você pode fazer - A poluição que você gera também pode ser quantificada e compensada de alguma forma. Se as pessoas adotarem uma conduta ambiental mais consciente, em que cada um tenha a iniciativa de poupar ao máximo o planeta, todos ganharão. Alguns sites já disponibilizam fórmulas que permitem calcular o quanto cada pessoa polui.
Mudar alguns de seus hábitos, como trocar o carro ou o ônibus pela bicicleta, sempre que possível; plantar árvores; reciclar lixo e economizar água e energia, pode ajudar a neutralizar os gases do efeito estufa emitidos por atividades do homem.
Para saber quanto você polui acesse o site www.thegreeninitiative.com/pt/calculator.php. Depois de saber o resultado pare um pouquinho e reflita: o que você tem feito para poupar o seu ambiente, o nosso ambiente?
Serviço
Outras informações: www.ongmae.com.br, www.marcaambiental.com.br, www.jornaldomeioambiente.com.br, www.ambientebrasil.com.br


