Juarez Venâncio, de 32 anos, não frequentou a faculdade, mas chega a faturar R$ 3 mil por mês. Aluno da primeira turma do curso técnico de informática do Senai, ele atua como autônomo há quatro anos, dando suporte a várias empresas, entre elas o próprio Senai. ‘‘Estou muito satisfeito com a minha profissão. Pretendo abrir uma empresa. É só questão de tempo’’, afirma.
  Venâncio faz parte de um contingente de milhares de londrinenses que ganham a vida exercendo atividades relacionadas à Tecnologia da Informação (TI). Dois fatos recentes comprovam que este é um setor que deu certo em Londrina: a confirmação da vinda da Atos, companhia de origem francesa que deve gerar 600 empregos, e a escolha da cidade pelo Sistema Fiep para sediar o Instituto Senai de Tecnologia (IST) de TI.
  Segundo o Sindicato da Indústria de Software do Paraná (Sinfor), Londrina conta com cerca de 300 empresas de TI, entre pequenas e médias. A primeira grande será a Atos, que disse ter escolhido a cidade devido à presença das universidades que formam mão de obra qualificada para o setor. A Prefeitura busca atrair outras duas, a Sutherland, de origem norte-americana, e a Tata, indiana. Se der certo, serão mais 1.200 empregos.
  Ainda criança, aos 10 anos, Fernando Ciríaco Dias Neto ganhou uma bolsa de estudo e fez seu primeiro curso de informática. Estudou a vida inteira em escola pública, chegou à faculdade de engenharia elétrica e fez mestrado e doutorado em esquemas eletrônicos.
  Hoje, aos 31 anos, Ciríaco coordena os cursos de engenharia da Faculdade Pitágoras e também dá aulas na UEL. Recentemente, em parceria com a empresa Gelt e um grupo de médicos cardiologistas, coordenou o desenvolvimento de um equipamento inédito no mundo, o CardioCare. Trata-se de uma única máquina que reúne as funções de cinco: eletrocardiograma, holter, looper, teste de esforço e monitor cardíaco.
Senai
  No ano que vem, o Senai de Londrina passará por uma grande reestruturação. Vai se transformar no Instituto Senai de Tecnologia (IST) de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), projeto que envolverá R$ 8,4 milhões. ‘‘São seis institutos no Paraná. Só o de Londrina será dedicado à TIC’’, conta a coordenadora de Negócios do instituto, Silvana Mali Kumura.
  De acordo com Silvana, a cidade é tida como referência nacional em desenvolvimento de software. Em 2008, o Senai implantou, em parceria com a Audare, um bureau de teste de software, que é único no País.
  Um dos braços do IST será a Faculdade Senai de Tecnologia, que já existe e oferece três cursos: os MBA em gestão de projetos e em governança da TIC, além da pós-graduação em engenharia da automação. No segundo semestre do ano que vem, vai oferecer outras três pós: em segurança da informação e perícia computacional, em jogos digitais, e em sistemas para internet.

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