Setor agrícola em compasso de espera
A rediscussão da globalização que o atentado aos EUA vai impor ao mundo poderá beneficiar o Brasil a longo prazo, para Eugenio Stefanello, professor de economia agrícola e comercialização da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da FAE Business School, de Curitiba. Stefanello admite que pode haver atraso na movimentação de mercadorias até o País se recompor.
Mas, segundo ele, o conflito étnico-religioso vai colocar em xeque a questão econômica mundial, que está provocando uma ''enorme'' concentração de riquezas e tensão social.
Conforme levantamento da Federação da Agricultura do Paraná, os EUA gastam em média US$ 40 bilhões por ano com subsídios agrícolas e o País não vai mexer com os agricultores, nem com o financiamento à sa© úde e educação para ampliar os investimentos em segurança, concorda Carlos Augusto Albuquerque, assessor econômico da entidade. Albuquerque também concorda que diante de uma crise a opção dos países é pelo protecionismo econômico, mas lembrou que essa já era a tendência da economia mundial já que a crise estava se alastrando por todos os países.
Ontem, os mercados agrícolas permaneceram apreensivos. No caso do café, uma das principais commodities do Brasil, a crise na comercialização, com baixas cotações, já vem preocupando. Ontem, sem referência de preço balizado pela Bolsa de Nova York, que não efetuou pregão, a cotação da saca de café, em média, ficou a R$ 100,00, para cafés tipo 6, bebida dura, representando US$ 37,50/saca, com o dólar a R$ 2,66. O corretor Marcos Baccetti diz que a ''estabilidade do preço deve se manter, mas o mercado também tende a especular mais''.
Para o secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Pedro de Camargo Neto, ainda é cedo para se avaliar os impactos sobre a economia brasileira. ''Tudo é tão absurdo e lamentável que confesso que ainda não sabemos avaliar direito''. (Vânia Casado, de Curitiba, e Ana Paula Nascimento, de Londrina)





